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Vacinas via COVAX tardam a chegar a países com menos rendimentos

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Vacinas via COVAX tardam a chegar a países com menos rendimentos
Direitos de autor  AFP PHOTO / UNITED NATIONS / ESKINDER DEBEBE/HANDOUT
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Os países de baixo e médio rendimento têm tido muita dificuldade em iniciar a campanha de vacinação contra a Covid-19 por falta de recursos e porque são confrontados com preços exorbitantes.

O governo da África do Sul, por exemplo, tentou comprar à farmacêutica britânica Astrazenca, que lhe propôs o dobro do preço que está a cobrar aos países europeus, apesar destes terem maior poder de aquisição.

"Há um apartheid na vacinação. É uma discriminação e é realmente vergonhoso o que está a acontecer. Vemos os países ricos a discutirem entre si sobre quem vai receber que quantidade, enquanto outros países apenas podem ficar à espera a assistir, penso que é uma vergonha!", disse Winnie Byanyima, diretora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Sida.

A COVAX é uma aliança global para promover a vacinação contra a Covid-19 nestes países, fruto da colaboração entre a Organização Mundial da Saúde, governos e entidades filantrópicas.

Recebeu cerca de 1650 milhões de euros até agora, com o Reino Unido e o Canadá como maiores doadores entre as três dezenas que contribuíram. A União Europeia contribuiu com 96 milhões de euros.

O anterior presidente dos EUA não quis participar na COVAX, mas o governo de Joe Biden já prometeu doar o dobro do que foi angariado até ao momento.

OMS alerta para subida dos preços

Mesmo com essa grande contribuição, a COVAX teria apenas um sexto do que é preciso para pagar os dois mil milhões de doses de vacinas que encomendou a cinco farmacêuticas.

A Organização Mundial da Saúde alerta que é crucial vacinar o máximo da população mundial para conseguir controlar a pandemia até ao final de 2021.

"Os acordos bilaterais entre países e empresas estão a colocar em risco a promessa de vacinação que é a COVAX. Pelo menos 56 acordos bilaterais de vacinas foram assinados, o que fragmenta o mercado, cria maior competição entre os países e faz aumentar os preços", explicou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde.

UE promote ajudar Balcãs e África

A União Europeia quer vacinar 70% da sua população até o verão e tem criticado os atrasos das farmacêuticas. O bloco também promete ajudar os países vizinhos na região dos Balcãs e em África.

Apesar de reconhecerem que existe nacionalismo e egoísmo, os analistas defendem a COVAX, como explica Jacob F. Kirkegaard, do centro de estudos The German Marshall Fund of the US: "Penso que classificar a COVAX como uma iniciativa de estilo colonialista, alegando que só deixamos as migalhas para esses países, é uma visão ingénua do mundo real".

"A alternativa seria que esses países nunca teriam qualquer acesso atempado e em condições às vacinas", acrescentou Jacob F. Kirkegaard.

Para se atingir a imunidade de grupo a nível global é preciso vacinar 70% dos quase oito mil milhões de pessoas do mundo. Na melhor das hipóteses, a COVAX vai permitir vacinar 10% da população mundial.