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Epidemia está a travar e pode permitir desconfinamento após o Carnaval

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De  Francisco Marques
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As mesas de restaurante podem voltar à baixa de Lisboa no final de fevereiro
As mesas de restaurante podem voltar à baixa de Lisboa no final de fevereiro   -   Direitos de autor  AP Photo/Armando França/ Arquivo
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A epidemia de Covid-19 em Portugal parece estar a abrandar e, após o Carnaval (16 de fevereiro), poderá permitir um levantamento progressivo do atual "confinamento duro", prevê Pedro Simões Coelho, coordenador da plataforma digital Covid-19 Insight.

Este projeto português nasceu de uma parceria entre a Nova Information Management School (IMS), da Universidade Nova de Lisboa, e a COTEC Portugal, uma associação empresarial para a inovação.

A Covid-19 Insights integra um banco de dados sobre a evolução epidemiológica no planeta e oferece um espaço de análise focado na situação portuguesa.

A comparação de diversos fatores e variáveis durante o mês de janeiro, por exemplo, permitiu à Covid-19 Insights calcular um recuo de até 40% nos contágios na semana em que Governo decidiu apertar o confinamento já em vigor com o fecho das escolas.

"Tomámos como referencial o meio da semana anterior ao fecho das escolas e o meio da semana seguinte. A conclusão a que chegámos é que no espaço de uma semana a taxa de transmissão do vírus caiu os tais 35 a 40% . Isso é resultado naturalmente das medidas que foram tomadas pelo Governo e pelas decisões individuais das pessoas", explicou à Euronews o também professor catedrático e Presidente do Conselho Científico da Nova IMS.

Pedro Simões Coelho olha para as estimativas da plataforma e considera "que a partir de algures da segunda metade de fevereiro" Portugal estará "em condições de ter controlo da epidemia".

"Qual é a boa notícia? A partir do momento que estejamos abaixo das barreiras de segurança (RT inferior a 1 e menos de 5000 infeções diárias) e em que for possível voltar a ter controlo das cadeias de transmissão, na minha ótica, não há razão para continuarmos com estes confinamentos duros como temos agora", defendeu o coordenador da Covid-19 Insights.

Baixar a taxa de transmissão do vírus (RT) e reduzir o número de infeções só se consegue cortando as cadeias de contágio e isso depende dos comportamentos individuais.

Nova IMS/ COTEC Portugal
Página de entrada na plataforma Covid-19 InsightsNova IMS/ COTEC Portugal

Perguntámos a Pedro Simões Coelho porque a plataforma, que até tem nome em inglês, não é mais abrangente na análise epidemiológica dos impactos económicos, permitindo aos utilizadores, por exemplo, comparar a evolução portuguesa com a de outros países da União Europeia, com quem o país tenta trabalhar em conjunto na gestão da crise e, agora, também da vacinação.

O coordenador do projeto diz tratar-se de uma questão de recursos e deixa perceber a prioridade de manter a qualidade dos conteúdos, evitando análises que se podem revelar erradas nas previsões por estar distante das outras realidades.

Para simplificar temos três grandes áreas. Uma parte mais descritiva, onde acompanhamos a situação das variáveis relevantes, como estão a evoluir e onde já temos praticamente tudo a nível europeu para Portugal, sendo já um instrumento muito útil para seguir [o que se passa na] a Europa.

"Depois há duas componentes que oferecem um 'insight' [tr.: olhar aprofundado] mais analítico. Uma tem a ver mais com as previsões epidemiológicas e outra com as económicas.

"É muito difícil fazer um trabalho de qualidade se não for feito centrado numa realidade concreta.
Pedro Simões Coelho
Coordenador do Covid-19 Insight

Desta forma, a realidade concreta, para já, é Portugal e os dados estão disponíveis gratuitamente para quem os quiser consultar inclusive para as autoridades de saúde que têm de tomar decisões por vezes difíceis na gestão da epidemia ainda descontrolada.

"Tudo o que temos e tudo o que produzimos está num 'dashboard' totalmente aberto, à distância de um 'click'. Desde as autoridades aos cidadãos, pode ser consultado e isso também é muito importante para democratizar o acesso à informação", concluiu Pedro Simões Coelho.

Entre a informação mais recente disponibilizada pela Covid-19 Insights há uma previsão de 7100 camas de hospital ocupadas a 7 fevereiro, o próximo domingo, incluindo 970 doentes em unidades de cuidados intensivos (UCI), numa situação com certas restrições ao nível da capacidade instalada.

Esta informação foi utilizada esta semana pelo deputado Ricardo Baptista Leite, do Partido Social Democrata. O também médico de formação e professor na Universidade Nova acrescenta que dadas as atuais restrições existentes a previsão devia sugerir ainda menos 200 doentes em UCI no domingo, ou seja, pouco menos de 800.

O balanço epidemiológico diário divulgado esta quinta-feira pela Direção-geral de Saúde indicou haver ao dia de hoje 6.496 "doentes covid" internados, incluindo 863 em UCI.

Os números refletiam uma redução de 188 no número de camas ocupadas em enfermaria normal e de 14 nas de cuidados intensivos, o que deixa transparecer uma tendência positiva no abrandamento da epidemia em Portugal, mas a "guerra à Covid" continua e em situação difícil por mais algumas semanas.

Editor de vídeo • Francisco Marques

Outras fontes • Público