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Catalunha integra ensino da religião islâmica na escola pública

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Comunidade islâmica no tributo às vítimas do ataque terrorista em Barcelona de 2017
Comunidade islâmica no tributo às vítimas do ataque terrorista em Barcelona de 2017   -   Direitos de autor  AP Photo/Alvaro Barriento/ Arquivo
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A Região espanhola da Catalunha não travou perante um ano letivo difícil devido à pandemia e lançou em setembro um projeto piloto de estudos islâmicos em diversas escolas de Barcelona, Baix Llobregat, Girona e Terragona.

O plano deste projeto piloto foi publicado a 2 de setembro no Diário Oficial da "Generalitat" da Catalunha.

Para as crianças muçulmanas na Catalunha, esta é também a oportunidade de igualdade de acesso aos ensinos religiosos nas escolas públicas catalãs, permitido por um acordo estabelecido entre o Estado e a Igreja Católica.

A meio deste ano letivo de 2020/21, a Euronews foi descobrir como está a decorrer o projeto junto da diretora-geral do Departamento de Educação da Catalunha.

"A experiência tem sido muito positiva e tem ajudado a desfazer alguns preconceitos. Os estudos islâmicos saem dos âmbitos mais fechados ou mais restritivos e permitem conhecer com maior naturalidade estas opções", disse-nos Mayte Aymerich.

Alguns espanhóis entendem que a religião não deve ter lugar na escola e defendem o secularismo, mas para a comunidade islâmica esta é apenas uma forma de ter tratamento igual aos católicos espanhóis.

"Se a escola quer ser inclusiva e diversa tinha de abraçar também esta diversidade de opções. Outro debate é se na escola deveria haver a formação religiosa. Eu creio que não", admite sem rodeios a diretora-geral do Departamento de Educação da Catalunha.

O "ódio" da extrema-direita

O correspondente da Euronews em Espanha, Jaime Velazquez, recorda-nos o episódio vivido recentemente na Catalunha, "nas últimas eleições autonómicas", em que "o partido de extrema-direita Vox utilizou uma mesquita numa videomontagem para acusar os partidos dominantes na Catalunha de quererem criar uma Republica Islâmica Catalã".

"A comunidade islâmica levou o caso a tribunal por delitos de ódio, mas não impediu que o partido de extrema-direita conseguisse 11 assentos no Parlamento e se tornasse na quarta força política da Catalunha", concretiza Jaime Velazquez.

À margem do debate se as escolas devem ser ou não seculares, há quem tenha rejeitado logo à partida este este projeto piloto por outras razões. Quem sabe se com os atentados jiadistas de 17 de agosto de 2017, no centro de Barcelona, ainda bem presente na memória.

O delegado na Catalunha da Comissão Islâmica Espanhola disse-nos já ter sentido esta aversão "quando uma minoria queria romper a sociedade catalã, promovendo o ódio em relação à comunidade muçulmana", depois dos atentados de 2017.

"A resposta dos catalães foi excelente e, aqui, o alvo não é a comunidade muçulmana nem o Islão, mas sim romper a união e a sociedade catalã", considera Mohamed el Ghaidouni.

Este projeto piloto de ensino islâmico na Catalunha tem por objetivo refletir as línguas e as culturas das famílias muçulmanas da região, garantir igualdade de acesso à formação religiosa na escola pública e promover a coexistência de uma comunidade diversa.