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Itália e Portugal avançam em contracorrente no combate à Covid-19

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De  Francisco Marques com Ansa, Lusa e EFE
Itália fecha maior parte do país, incluindo escolas; Portugal retoma aulas dos mais pequenos
Itália fecha maior parte do país, incluindo escolas; Portugal retoma aulas dos mais pequenos   -   Direitos de autor  AP Photo/Alessandra Tarantino//LUSA/Fernando Veludo
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Milão acordou esta segunda-feira repleta de sinais de folia da última noite, num cenário de memória longínqua para muita gente por toda a Europa desde meados de março do ano passado. Para muitos italianos, o fim de semana foi de despedida antes de um novo confinamento.

Itália entrou num novo período de apertadas restrições com pelo menos 10 regiões, incluindo a Lombardia, a mais afetada há um ano no início da pandemia, pintadas a "vermelho" no mapa Covid do país.

Escolas, restaurantes e diversos estabelecimentos comerciais não essenciais foram de novo fechados nas zonas "vermelhas", sendo apenas permitida a venda de bens alimentares para fora e sair de casa só com justificação.

À exceção da ilha da Sardenha, a única a "branco", as restantes regiões italianas estão pintadas a "laranja", isso permite que algumas atividades possam continuar a trabalhar e que apenas o ensino superior funcione à distância.

As imagens de gente nas ruas de Roma ou Milão marcaram o fim de semana em Itália. Há relatos de muitos convívios entre jovens, como se se estivessem a despedir da liberdade.

As equipas de limpeza pública do município de Milão tiveram esta manhã muito trabalho para recolher, por exemplo, as garrafas vazias deixadas na via pública.

As restrições tentam travar a chamada terceira vaga da Covid-19 em Itália, onde esta tarde foram anunciadas 15.267 novas infeções registadas no espaço de 24 horas e ainda mais 354 mortes inscritas no quadro da epidemia.

Comparados a domingo, os números indicam uma redução dos diagnósticos positivos (21.315, ontem), mas um aumento de óbitos (264).

Portugal

Em contracorrente com Itália, está Portugal, que hoje anunciou nova redução de novos casos (256) e mortes (10), mantendo-se dentro do "verde" no novo semáforo apresentado na semana passada pelo primeiro ministro António Costa.

Ao todo, a Direção-geral de saúde tem agora registados 814.513 casos confirmados, 16.694 mortes e, na progressão da doença, há agora 36.031 casos ativos, menos 2.125 que no domingo.

O índice de transmissibilidade no continente português situa-se nos 0,79 e a incidência medida a 14 dias é de 84,2 novas infeções por 100 mil habitantes.

O país baixou consideravelmente as taxas de contágio, mortes diárias e novos internamentos e esta segunda-feira começou uma nova fase de desconfinamento progressivo.

Há 996 camas de hospital ocupadas com "doentes covid" (um aumento de 20 face a domingo), incluindo 231 nos cuidados intensivos (menos 11).

O balanço positivo justificou o aliviar das medidas de contenção em Portugal, a partir de hoje em processo de desconfinamento progressivo.

Espanha

Em Maiorca, esgotaram-se os voos oriundos da Alemanha para a Semana Santa depois de o governo de Angela Merkel ter retirado a obrigação de quarentena e de teste negativo para quem regressar daquela ilha balear.

No entanto, já esta segunda-feira, o mesmo governo alemão apelou para se evitarem as viagens para Maiorca avisando para um alegado agravamento da epidemia.

Uma viajante germânica entrevistada no aeroporto de Maiorca considerou "perigoso" o aliviar das restrições na ilha, sobretudo, "se demasiados restaurantes, bares e outros locais abrirem para toda a gente".

As autoridades de saúde maiorquinas decretaram, entretanto, que os bares e restaurantes da ilha só podem abrir a partir desta segunda-feira se limitarem os espaços interiores a 30% da lotação normal e a 50% as esplanadas, com as mesas limitadas a um total de quatro pessoas. O fecho mantém-se às 17 horas.

No continente, em Valência, o atual bom tempo veio ajudar à motivação para se começar a preparar a chegada de turistas para a Semana Santa, embora, por enquanto, na perspetiva de apenas haver turismo nacional.

No entanto, na comunidade valenciana, há quem avise para o perigo dos próximos 20 dias nesta região balnear, devido à tradicional festa Las Fallas, que embora com as festividades oficiais canceladas poderá levar a algumas celebrações informais, e depois com a Semana Santa.

A somar a esses eventos há ainda as convidativas praias de Benidorm e Gandia.

Em fevereiro, a região valenciana era das mais afetadas pela Covid-19 em Espanha, agora apresenta uma incidência acumulada de 50 casos por 100 mil habitantes, mas com o SARS-CoV-2 ainda a circular e a perspetiva de grandes multidões, tudo se pode agravar rapidamente e colocar em causa todo o verão.

Outras fontes • La Repubblica, Diario de Mallorca