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Profissionais de saúde recorrem a apoio psicológico

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De  Ricardo Figueira  & Jaime Velázquez
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Profissionais de saúde recorrem a apoio psicológico
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Pablo Celik é enfermeiro no Hospital de La Paz em Madrid. Trabalhou na linha da frente contra a Covid-19. Nunca imaginou o preço que isso iria custar à sua saúde mental: "Há muito tempo que sinto esta angústia interior, esta falta de ar, que nunca tinha sentido antes", conta.

Foi há um ano, quando os hospitais estavam sobrecarregados, havia pouco equipamento de proteção pessoal e os médicos tinham de dar prioridade ao tratamento dos pacientes mais viáveis. Diz Pablo: "Não podíamos fazer muito mais. Eu, como enfermeiro, a única coisa que podia fazer era tomar conta destas pessoas nos últimos dias de vida. Dando-lhes o amor de que necessitavam".

Os aplausos nas varandas trouxeram algum conforto, mas nada iria deter a sensação de impotência por não poder salvar mais vidas, os receios de adoecer, ou infetar a família e o esforço de manter os entes queridos afastados do trauma diário.

Stresse pós-traumático

María José García, secretária-geral do sindicato dos enfermeiros SATSE, explica: "Eles estão a lutar contra a doença e sabem que podem ser infetados. Ainda por cima, não podem chegar a casa e contar tudo o que vivem no hospital, por isso não tem outra escolha a não ser chorar no caminho do trabalho para casa".

Os trabalhadores da saúde na linha da frente pagaram um grande preço na luta contra a Covid-19. Um inquérito recente mostra que um em cada três sofria de depressão após a primeira vaga, sendo que metade requeria uma avaliação de saúde profissional. Um em cada quatro sofria de transtorno de stresse pós-traumático, semelhante aos que estiveram numa zona de guerra.

Apoio no hospital

No Hospital de La Paz, em Madrid, sabiam que tinham de dar apoio psicológico ao pessoal desde o primeiro dia: "Aprendemos que tão importante como cuidar dos pacientes era cuidar dos profissionais para que eles pudessem trabalhar e cuidar deles corretamente", diz María Fe Bravo, chefe do serviço de psiquiatria do hospital.

Foi só depois da primeira vaga que Pablo decidiu procurar ajuda: "Não senti forças para me abrir até então. Nem sequer consegui encontrar tempo para isso".

Agora, vai a sessões semanais de terapia de grupo no hospital.

Beatriz Rodríguez Vega, chefe da unidade de psicoterapia do Hospital de La Paz, explica: "O que estamos a fazer, acima de tudo, é ligarmo-nos à nossa força interior, não apenas com o lado vulnerável que apareceu em todos nós, mas com a força que pode sair desta vulnerabilidade".

Precisarão de todas as forças, porque a pandemia está longe de ter terminado. Pelo menos durante alguns minutos, têm tempo para eles próprios, para que possam continuar a cuidar dos outros.