Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que escolheu terminar o mandato com esta visita para "agradecer à Europa aquilo que foi uma grande escolha para o destino de Portugal".
O Presidente da República encontrou-se, esta sexta-feira, em Bruxelas com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, numa despedida das instituições europeias.
A visita acontece a menos de duas semanas de Marcelo Rebelo de Sousa cessar funções, em 9 de março, e incluiu encontros com os presidentes das três principais instituições europeias: Parlamento Europeu, Comissão Europeia e Conselho Europeu.
O ponto alto desta visita foi, contudo, um encontro com António Costa no Conselho Europeu, o último, ao mais alto nível, entre os dois principais protagonistas da política portuguesa na última década.
Após uma breve visita ao edifício, os dois prestaram declarações aos jornalistas, antes de almoçarem juntos, passando em revista a relação institucional que mantiveram quando António Costa era primeiro-ministro de Portugal.
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que escolheu terminar o mandato com esta visita para "agradecer à Europa aquilo que foi uma grande escolha para o destino de Portugal".
O Chefe de Estado disse que era uma "honra e prazer" ser recebido pelo Presidente do Conselho Europeu, sublinhando a importância de ter um português num cargo de tamanha importância. Recordou, também, que o "sonho europeu" foi algo que marcou tanto a sua geração, como a do antigo primeiro-ministro.
"A Europa foi um sonho, tal como a liberdade e a democracia, plenamente realizado", sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa.
Marcelo aproveitou a ocasião para recordar os oito anos em que António Costa foi chefe de governo, em que conseguiram "estabilizar as contas públicas" e um "crescimento económico num momento em que a Europa não estava a crescer".
"Não podia sair mais feliz, quer das funções que exerço quer da política, senão num momento em que a Europa reafirma a sua vitalidade, a sua força, a sua recuperação económica e a fidelidade à segurança e à defesa", continuou Marcelo Rebelo de Sousa, ao lado de António Costa.
A esse propósito, o Presidente da República também felicitou a aplicação provisória do acordo comercial da União Europeia-Mercosul, uma "grande batalha" do atual presidente do Conselho Europeu "também vencida".
"Quando se olha para a realidade geopolítica, percebe-se que o sonho europeu é um sonho que tem de ser alimentado todos os dias. E não há Portugal sem sonho europeu, sem uma Europa forte. Nem há uma Europa forte, sem Portugal forte", concluiu.
Questionado sobre a importância da mensagem europeísta atualmente, Marcelo Rebelo de Sousa garante que em Portugal está "forte como nunca". "Somos dos países mais pró-europeus da Europa. Os atos eleitorais mostram, de uma forma constante, vitórias de forças políticas pró-europeístas. Acaba de ser eleito um Presidente pró-europeísta com uma maioria esmagadora", acrescentou o Chefe de Estado.
António Costa também aproveitou o momento para agradecer a Marcelo a colaboração institucional quer a nível nacional, quer a nível europeu, na participação ativa de Portugal na União Europeia. "Acho que tem bons motivos para olhar para trás com satisfação para aquilo que foi o percurso que o país fez durante estes seus dois mandatos".
"Esta sua década como Presidente da República foi também muito importante na relação de Portugal com a União Europeia. Quando iniciou funções Portugal estava numa época de défice excessivo e termina o seu mandato com uma situação orçamental estável, tendencialmente positiva e com uma redução progressiva e consistente da nossa dívida pública", salientou Costa.
António Costa também revelou que "nunca teve dúvidas de que éramos muito felizes" no período em que governou durante a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa, brincando até com os tempos em que o Chefe de Estado o considerava um "otimista irritante".
"A dúvida era de quem, contrariando o otimismo saudável, cultivava por vezes algum pessimismo menos produtivo. Ficámos bem. Todos concordamos que somos felizes, mesmo aqueles que não sabíamos que éramos", ironizou o presidente do Conselho Europeu, desejando "as maiores felicidades para a próxima vida" do Presidente da República cessante, naquele que é um "adeus institucional".
Marcelo terminou ainda dizendo que espera que a Europa "saiba reconhecer os méritos" de António Costa, recomendando "mais anos e importantes anos no exercício da função" que o antigo primeiro-ministro socialista exerce atualmente.
Nesta troca de elogios, Marcelo recordou a "amizade que durou décadas" com Costa, que partiu de uma relação professor-aluno. "A amizade existiu sempre, com lugares, sem lugares. Dentro da vida muito ocupada do presidente António Costa com a minha muito liberta, é uma questão de calendário de António Costa arranjar um momento para nos encontrarmos num bom jantar ou num bom almoço", sugeriu Marcelo, garantindo que este se trata apenas de um "adeus institucional".