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Vacina da Johnson & Johnson sob suspeita

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De  euronews com Lusa, AP
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A facilidade de armazenamento da vacina da J&J permite que seja aplicada em farmácias
A facilidade de armazenamento da vacina da J&J permite que seja aplicada em farmácias   -   Direitos de autor  Mary Altaffer/AP
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Autoridade do Medicamento nos Estados Unidos (FDA) recomenda a suspensão da Janssen, a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Johnson & Johnson. Na origem da decisão estão relatos de coágulos sanguíneos potencialmente associados à toma do fármaco, inovador porque é de toma única e de fácil armazenamento.

Também o Centro para Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) subcreveu a recomendação na sequência de seis mulheres terem apresentado coágulos sanguíneos nos dias a seguir a terem tomado a vacina desta farmacêutica, em combinação com contagens de plaquetas reduzidas.

O Comité Consultivo sobre Práticas de Imunização do CDC vai reunir-se na quarta-feira para discutir os casos e o FDA também lançou uma investigação.

"Até à conclusão do processo, recomendamos que seja feita, por prevenção, uma pausa no uso desta vacina", defendeu a diretora-adjunta do CDC, Anne Schuchat, e o diretor do centro do FDA para Avaliação e Pesquisa Biológica, Peter Marks, em comunicado conjunto hoje divulgado. Mais de 6,8 milhões de doses da Janssen foram administradas nos EUA.

Portugal diz que é prematuro falar de pausa e empresa adia entregas na Europa

As primeiras 30 mil doses da vacina desta farmacêutica deveriam chegar a Portugal esta quarta-feira. Está previsto que o país recebe, ainda durante o segundo trimestre deste ano, 1,25 milhões de doses, do total de 4,5 milhões de doses que o país deverá ter disponíveis ao longo de 2021. Uma meta que pode ser difícil de alcançar. As dúvidas das autoridades levaram a J&J a anunciar esta terça-feira que vai adiar as entregas previstas na Europa.

A ministra da Saúde, Marta Temido, considerou ser ainda muito cedo para comentar a recomendação hoje emitida pelas autoridades de saúde dos Estados Unidos para uma pausa na administração da vacina contra a covid-19 da Janssen.

"Recebemos essa notícia enquanto decorria a reunião. Neste momento é prematuro falar. Essa vacina não foi ainda iniciada no território da União Europeia, estamos a receber as primeiras doses esta semana. Os efeitos adversos estão descritos, mas no balanço risco-benefício continuamos a saber que a vacina é a nossa melhor arma para sairmos desta doença”, explicou a governante.

A Comissão Europeia acordou a compra de 200 milhões de doses este ano, com uma opção mais 200 milhões de doses, tendo a farmacêutica Janssen, do grupo Johnson & Johnson, começado a fazer as entregas na segunda-feira.

No sábado passado, a FDA garantiu que não tinha sido estabelecida qualquer relação de causalidade entre a formação de coágulos sanguíneos e a vacina da Johnson&Johnson.

“A FDA está ao corrente de informações nos Estados Unidos sobre eventos tromboembólicos graves, associados a um baixo nível de plaquetas no sangue, que ocorreram em algumas pessoas depois de receberem a vacina contra a covid-19 da Janssen”, afirmou o regulador norte-americano em comunicado.

“Neste momento, não encontrámos ligação de causalidade com a vacinação”, referiu nesse dia, acrescentando que iria continuar a acompanhar a evolução daqueles casos.

Também a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) indicou na sexta-feira que estava a investigar ligações entre esta vacina e casos de coágulos sanguíneos.

“Um caso ocorreu durante um ensaio clínico e três casos surgiram no quadro da vacinação nos Estados Unidos. Um deles foi fatal”, acrescentou a EMA.

A vacina da Johnson & Johnson foi autorizada no final de fevereiro, após as da Pfizer/BioNTech e da Moderna.

O regulador europeu aprovou também a vacina Johnson & Johnson e o início da administração nos países da União Europeia estava previsto para este mês.