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França recebe últimos viajantes do Brasil com receio da variante P1

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França recebe últimos viajantes do Brasil com receio da variante P1
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Aterraram esta quarta-feira de manhã em Paris os últimos passageiros oriundos do Brasil depois da decisão do governo de França de suspender até 19 de abril todos voos entre os dois países.

Em causa está o receio de agravamento da epidemia pela variante brasileira P1.

A estirpe que terá surgido na Amazonas e é também conhecida como "a variante de Manaus" é descrita como mais contagiosa e potencialmente mais mortal do que o SARS-CoV-2 original, terá contribuído para o forte agravamento da epidemia este ano no Brasil e já foi identificada em pelo menos 37 países, com Itália e os Estados Unidos a revelarem-se os mais atingidos fora do país de origem.

A região da Colúmbia Britânica, no Canadá, é mais recente zona em sobressalto devido à P1, tendo a pequena cidade de Whistler, conhecido destino para o esqui, sido encerrada devido a um surto ainda por explicar desta "variante de Manaus".

Alguns dos viajantes entretanto já em França assumem ter fugido da crise sanitária que se vive no Brasil. Ao teste PCR negativo obrigatório antes de embarcarem, os viajantes tiveram ainda de fazer um teste antigénio pelo nariz à chegada a Paris, o qual terão de repetir no espaço de uma semana, além de terem de se manter isolados pelo menos 10 dias.

O embaixador do Brasil em França, Luis Fernando Serra, recusou comentar a suspensão de voos decretada pelo França e deixou um alerta contra quem procura um conflito entre os dois países.

“A esquerda quer que o governo de Bolsonaro não vá bem, pessoalmente acho que tem gente que quer um conflito entre a França e o Brasil”, lamentou o diplomata, em declarações à agência Efe, citadas pela Lusa.

"Eles querem que eu critique essa decisão francesa e digo que não vou comentar, porque é uma decisão soberana que deve ser respeitada", reforçou Luis Fernando Serra.

Esta terça-feira, França registou quase 40 mil novas infeções e mais de 320 mortos, contabilizando só os "doentes covid" que perderam a vida em ambiente hospitalar, onde entraram mais 14.715 pessoas infetadas nos últimos sete dias, aumentando a pressão sobre os hospitais.

Os receios franceses de uma agravamento epidemiológico baseiam-se sobretudo em alguns estudos que apontam a variante P1 e a variante sul-africana (B.1.351) como mais resistentes à ação das vacinas em utilização na União Europeia.

A situação da P1 no Brasil não é muito clara, porque "a vigilância genómica é uma das piores do mundo", aponta, ao portal GaúchaZH, Jesem Orellana, pesquisador do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Há, no entanto, estimativas a apontar a P1 como responsável por 90% das infeções no Brasil, nomeadamente a partir de fevereiro.

Nos últimos sete dias, o Ministério da Saúde brasileiro registou uma média diárias de mortes acima das três mil e de contágios acima dos 71 mil.

Ministério da Saúde do Brasil
Evolução do número de óbitos diários no BrasilMinistério da Saúde do Brasil

Além da P1, o Brasil está a ser agora afetado também pela P2 e por uma variante mais recente denominada para já "Belo Horizonte", descoberta por investigadores do Instituto de Ciências Biológicas UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que a descrevem como tendo 18 mutações do SARS-CoV-2 original.

Tanto a P2 como a "Belo Horizonte" ainda não foram incluídas pela Organização Mundial de Saúde na lista oficial das variantes mais preocupantes do coronavírus que provoca a Covid-19.

A atual crise no Brasil, de acordo com os números do portal "Our World in Data", colocam o país no topo dos mais infetados pelo SARS-CoV-2 na América do Sul, que, com 9,8 óbitos por milhão de habitantes, é agora o continente com mais mortes no quadro da pandemia.

Outras fontes • G1, Agência Brasil, Le Monde