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Retirada militar dos EUA não significa o abandono dos afegãos

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Antony Blinken com o presidente do Conselho Superior de Reconciliação Nacional do Afeganistão
Antony Blinken com o presidente do Conselho Superior de Reconciliação Nacional do Afeganistão   -   Direitos de autor  Sapidar Palace via AP
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O novo secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, fez uma visita surpresa a Cabul para assegurar o governo afegão de que a anunciada retirada dos militares não significa o fim da relação entre os Estados Unidos e a Afeganistão.

O Presidente Joe Biden anunciou esta semana a retirada dos 2.500 militares americanos ainda estacionados naquele país do médio oriente, integrados nas forças da Aliança do Atlântico Norte (NATO).

"Estou imensamente agradecido pela bravura que os membros das nossas forças armadas têm mostrado ao longo das cerca de duas décadas de combate e destacamentos no Afeganistão. Nunca se renderam. Nem nunca vacilaram. E pagaram um preço tremendo em nosso nome", escreveu Biden, nas redes sociais, assumindo-se como o quarto Presidente a liderar tropas no Afeganistão e garantindo: "não vou passar esta responsabilidade a um quinto."

A retirada, no entanto, não é novidade, já estava acordada pela anterior Administração da Casa Branca, liderada por Donald Trump, mas tinha o dia 1 de maio como prazo, caso os talibãs mantivessem os termos do acordo.

A decisão agora anunciada por Biden estabelece que a retirada final vai começar, sim, a 1 de maio e ficar completa até ao simbólico dia 11 de setembro, dia em que se assinalam 20 anos sobre os ataques terroristas às Torres Gémeas e ao Pentágono que espoletaram a mobilização militar dos EUA no Afeganistão, à "caça" do grupo liderado por Osama bin Laden, afeto à Al-Qaeda, considerada responsável pelos atentados.

Blinken garante que a retirada militar não representa um corte completo da relação bilateral desenvolvida ao longo dos últimos 20 anos.

Mantemo-nos ao lado do povo afegão. Incluindo no investimento económico e no apoio ao desenvolvimento em busca de um futuro mais próspero.

"Vamos continuar a apoiar a sociedade civil e a defender direitos iguais para as mulheres, incluindo a participação nas negociações em curso e uma representação igualitária por toda a sociedade.
Antony Blinken
Secetário de Estado dos EUA

No seguimento do anúncio unilateral dos Estados Unidos, também a NATO decidiu retirar o resto do contingente da aliança ainda estacionado no Afeganistão, um total de quase 9.000 militares. Entre eles há quase 160 portugueses.

Em comunicado, os ministérios dos Negócios Estrangeiros e o da Defesa Nacional revelaram a retirada coordenada com a NATO da Força de Reação Rápida nacional de Cabul em junho.

"Portugal ajustará, de forma coordenada com os aliados, o dimensionamento da sua participação, tendo decidido manter a presença da Força de Reação Rápida nacional na proteção do Aeroporto Internacional em Cabul até final de maio, e continuar a contribuir com elementos de Estado-Maior nas estruturas de comando da missão até final da missão “Resolute Support” (Apoio Enérgico), continuando igualmente a contribuir anualmente para o fundo de apoio ao exército nacional afegão até 2024”, lê-se no texto, citado pela agência Lusa.

Reações civis em Cabul

Nas ruas de Cabul, a capital afegã, a notícia da retirada total dos militares afetos à NATO está a dividir a sociedade. Em especial, as mulheres.

Em declaração à estação de televisão japonesa NHK, um homem não identificado afirmou: "Antes da chegada das tropas americanas, não tínhamos problemas nas nossas vidas. Os militares americanos estiveram aqui muito tempo. Se se retirarem completamente, as pessoas poderão voltar a unir-se outra vez e ver a paz restaurada nas suas vidas."

Um mulher, citada pela mesma fonte, disse: "Estou extremamente preocupada com a saída das tropas. A influência dos talibãs pode aumentar e isso pode restringir a participação das mulheres na sociedade."

Outras fontes • NHK