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Celebração e negação após confirmação de perpétua para Ratko Mladić

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Sobreviventes do massacre de Srebrenica assistiram em Potočari à sengtença de Mladić
Sobreviventes do massacre de Srebrenica assistiram em Potočari à sengtença de Mladić   -   Direitos de autor  AP Photo/Darko Bandic
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Sobreviventes do apelidado massacre de Srebrenica, em 1995, na Bósnia-Herzegovina, assistiram à distância à confirmação da sentença de prisão perpétua de Ratko Mladić, o antigo comandante militar sérvio, conhecido como "o carniceiro da Bósnia", acusado de vários crimes de guerra incluindo genocídio.

Em Potočari, o mesmo local de onde viram em julho de 1995 os familiares serem levados para a morte, dezenas de sobreviventes celebraram a rejeição do recurso do réu e a confirmação da sentença de 2017 pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Jugoslávia, formado por juízes das Nações Unidas.

Foi o caso Nedziba Salihovic. Perdeu o filho, o marido, o irmão e muitos amigos naqueles trágicos dias.

"Nós, as mães, temos de estar felizes porque é uma prisão perpétua. Ele tem de ficar o resto da vida na prisão assim como eu tenho de ficar sozinha para o resto da minha vida, à espera de poder voltar a reunir-me com os meus entes queridos no céu", afirmou a viúva Nedziba Salihovic.

Já o diretor do Memorial ao Genocídio de Srebrenica conta ter estado em Potočari, nos dias do massacre e sublinha que a culpa não se resume ao comandante sérvio.

"Ratko Mladić não matou sozinho 10 mil pessoas nem organizou sozinho a deportação de 30 mil pessoas em três dias”, afirmou Emis Suljagic.

Rejeição do recurso e confirmação da sentença de Ratko Mladić

A confirmação da sentença equipara Mladic ao ex-Presidente sérvio-bósnio Radovan Karadzic, também a cumprir prisão perpétua por ter ordenado o genocídio na guerra da Bósnia.

Ainda assim, na antiga Jugoslávia, há quem os admire.

Svetozar Bosic reside em Belgrado, capital da Sérvia, e, para ele, Mladić "é um herói". "É um homem que fez o que pôde num dado momento. Foi um soldado e um líder do seu exército. Defendeu o seu povo e fez tudo o que podia ter feito. Apenas a história o poderá julgar", garante este sérvio.

Um habitante de Banja Luka, na Bósnia-Herzegovina, de quem não recebemos o nome, diz que Mladić "devia ter sido absolvido". "É o que ele merece. Só o facto de estar ali, não é bom. Este foi o veredicto de um tribunal político", acusou este bósnio.

Mais de 8 mil homens e rapazes de Srebrenica foram chacinados em três dias e os cadáveres atirados para valas comuns.

Só mais tarde tiveram um funeral digno num cemitério onde agora os familiares os podem lembrar e celebrar.

Ratko Mladić, por outro lado, vai ter uma cela longe dos familiares, até ao fim dos seus dias.