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Árvores descontaminam solos poluídos

De  Teresa Bizarro  & Luca Palamara
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Árvores descontaminam solos poluídos
Direitos de autor  Luca Palamara & Euronews
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Chamam-lhe "Terra dos Incêndios": grandes extensões de terreno, altamente fértil, na região da Campânia, utilizado por organizações criminosas para eliminar ilegalmente lamas tóxicas produzidas por fábricas no Norte de Itália.

Atualmente, os aterros sanitários ilegais estão a ser levantados e os resíduos tóxicos removidos para serem devidamente destruídos. Um processo lento e dispendioso que um grupo de investigadores da Universidade de Nápoles pretende substituir.

Os cientistas plantaram 20 mil choupos numa área de 60 mil metros quadrados. As raízes absorvem os metais pesados presentes no solo num processo que custa 800 mil euros, em vez de 20 milhões, se fossem utilizados os métodos convencionais.

"Este sítio é agora um bosque, é um centro de recuperação da biodiversidade, de serviços ecossistémicos, de purificação do ar e acumulação de carbono no solo. Tornou-se um sítio natural", diz Massimo Fagnano, do departamento de Agronomia da Universidade Federico II, de Nápoles.

O terreno parece uma floresta normal, mas na realidade é um projecto de recuperação. As árvores funcionam como "máquinas de descontaminação" do solo que as sustenta, através da vigorosa força das suas raízes.

Educação ambiental em tempo real

Desde 2016, esta área já foi visitada por quase 10 mil estudantes de escolas da região. A educação ambiental acompanha a investigação que estuda a ligação entre a poluição do solo e a saúde. A "Terra dos Fogos" tem sido alvo de estudos particulares que podem conduzir a novas descobertas.

Loredana Moio, professora de uma escola secundária em Giugliano, não tem dúvidas de que a exeriência é positiva. "Estar aqui hoje e respirar este ar, sentir a paz desta paisagem que foi revitalizada, dá-nos um verdadeiro sentimento de esperança e redenção," diz.

Os investigadores querem ir mais longe e definir o impacto da contaminação dos solos na saúde. Maria Triassi, do departamento de Higiene da Universidade Federico II, de Nápoles, reconhece que "determinar se existem ligações entre a concentração de metais pesados e outros agentes poluentes e a saúde humana e animal é uma questão complexa".

De lixeira ilegal a símbolo de recuperação e legalidade. Seis hectares de terreno pretendem enviar uma mensagem tanto para as organizações criminosas como para as instituições públicas: é possível recuperar os danos ambientais com projetos sustentáveis do ponto de vista ecológico e financeiro.