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Alerta de “emergência de fome” se não houver “financiamento urgente” em Moçambique

De  Euronews com Lusa
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Distribuição de refeições em Pemba, Moçambique
Distribuição de refeições em Pemba, Moçambique   -   Direitos de autor  LUÍS MIGUEL FONSECA/ 2021 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
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Caso não haja um "financiamento urgente", milhares de pessoas estão em risco de fome no norte de Moçambique. O alerta para a situação cada vez mais dramática em Cabo Delgado foi lançado pelo Programa Alimentar Mundial.

O organismo das Nações Unidas, num comunicado, avisa que a fuga à violência continua a crescer na região e, sem dinheiro para apoiar estas famílias, o número de pessoas que sofrem da chamada insegurança alimentar não pára de aumentar: ascende às 363 mil e as crianças são as mais afetadas.

A maior parte dos deslocados fugiram aos ataques armados em Palma. Mas as condições em que vivem são muito precárias e escasseiam os alimentos.

O Diretor Executivo do Programa Alimentar Mundial explica que "esta era uma área de turismo, pesca, boa economia, as pessoas tinham boas condições de vida. Mas os terroristas invadiram as casas, queimaram tudo, violaram e mataram muitas pessoas". David Beasley lembra que nesta altura "o Programa está a prestar apoio a 715.000 pessoas".

O Programa Alimentar Mundial alerta ainda para o risco de interromper a assistência aos deslocados em agosto caso não chegue mais financiamento.e volta a lançar o apelo: 102 milhões de euros devem enviados para a região até final deste ano.

Recorde-se que Cabo Delgado é alvo de ataques armados desde 2017, alguns deles reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Esta onda de violência já provocou mais de 2.800 mortes e cerca de 732.000 deslocados.

Programa Alimentar Mundial sob suspeitas de corrupção

Entretanto, esta terça-feira, o Gabinete Provincial de Combate a Corrupção em Sofala anunciou a abertura de um processo contra dois funcionários do Programa Alimentar Mundial (PAM) na cidade da Beira, suspeitos do desvio de oito milhões de meticais (106 mil euros).

"Eles efetuaram levantamentos através de cheques nas contas da instituição e introduziram os valores nas suas respetivas esferas patrimoniais", declarou Anastácio Matsinhe, porta-voz do Gabinete Provincial de Combate a Corrupção em Sofala, durante uma conferência de imprensa na cidade da Beira.

Segundo a fonte, as autoridades detiveram preventivamente uma pessoa e a outra, um superior hierárquico, encontra-se em parte incerta, após pedir demissão da agência.

"Os atos praticados por estes funcionários consubstanciam o crime de peculato", acrescenta o porta-voz, avançando que a funcionária detida confessa ter levantado os valores, embora considere que o montante foi entregue totalmente ao outro funcionário agora foragido.

Segundo a fonte, caso seja comprovada em sede de tribunal do seu envolvimento no desvio, os funcionários de PAM podem ser punidos com penas entre 8 e 12 anos.

"Estes funcionários são equiparados a servidores públicos, sendo o PAM uma instituição ligada a Organização das Nações Unidas, de que Moçambique é parte e que é uma organização de direito público", frisou Anastácio Matsinhe, acrescentando que foi a própria instituição que deu conta do desaparecimento dos fundos.

Contactado pela Lusa, o PAM em Moçambique disse que a instituição tem uma "política de tolerância zero em relação ao desvio de recursos", considerando que "todas as acusações são investigadas com rigor".

"O PAM leva todas as denuncias a sério e temos mecanismos para lidar com a má conduta em todos os níveis", refere a agência numa nota de reação enviada à Lusa.