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Crise humanitária agrava-se em Cabo Delgado

Sobreviventes dos ataques em Palma aguardam ajuda em Pemba, Cabo Delgado
Sobreviventes dos ataques em Palma aguardam ajuda em Pemba, Cabo Delgado Direitos de autor AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De  Francisco Marques
Publicado a Últimas notícias
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Sobrevivente recorda como escapou com um rapaz de 16 anos do ataque a Palma, em março. Os dois foram alvejados e ainda aguardam ajuda

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Aos ataques violentos ocorridos na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, somaram-se ainda poderosos furacões como o "Idai" ou o "Kenneth", e agora também a epidemia de Covid-19.

São já quase 800 mil deslocados internos em fuga das ofensivas dos alegados insurgentes jiadistas no norte do país e a necessitar de ajuda urgente. Uma situação em rápida deterioração.

Numa altura em que Moçambique finalmente se abre a ajuda militar estrangeira para gerir a violência em Cabo Delgado e proteger os civis, a RTP descobriu em Pemba, capital da província, alguns sobreviventes do ataque de março passado a Palma.

Um deles, San Said, de 73 anos, contou à reportagem da estação pública portuguesa do que escapou.

No dia em que eles entraram em Palma, começaram a disparar de qualquer maneira.

Saí de casa a correr. Fui atingido com dois tiros. Um feriu-me a mão esquerda, felizmente sem gravidade. O outro perfurou a minha perna, entrou e saiu.
San Said
sobrevivente de 73 anos do ataque em Palma

O sobrevivente dos ataques de Palma, com uma perna engessada, falou ainda de um rapaz que estava perto de si, também com uma perna engessada. Referia-se a Iman Rashid, de 16 anos.

Os dois fazem parte das centenas de pessoas a viver há mais de três meses em situação precária num pavilhão em Pemba. Milhares de pessoas em fuga do terroristas foram transferidas para a capital de Cabo Delgado.

Uns foram instalados em abrigos precários, outros ficaram a viver com familiares. A RTP descobriu também a família Massaia. São 31 membros e apenas um, o patriarca, tem trabalho para sustentar os demais, muitas vezes apenas com uma refeição por dia.

A somar às dificuldades de uma vida precária, há ainda denúncias de maus tratos contra estes deslocados por parte da polícia.

Muitos destes sobreviventes são vítimas de extorsão e até de detenção em Pemba, por não terem documentos, acusou a Caravana Jurídica, uma iniciativa com apoio do ACNUR de assistência às vítimas do conflito em Cabo Delgado.

No documento onde esta segunda-feira a União Europeia deu conta de ter aprovado a missão militar de ajuda a Moçambique é sublinhada a existência de pelo menos 1,3 milhões de pessoas a necessitar de ajuda humanitária e proteção na província de Cabo Delgado.

Editor de vídeo • Francisco Marques

Outras fontes • RTP, AP, AFP

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