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Inglaterra diz adeus às máscaras e levanta restrições anti-covid

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De  Tadhg Enright & Euronews
Pessoas festejam "Dia da Liberdade" logo após a reabertura de um bar
Pessoas festejam "Dia da Liberdade" logo após a reabertura de um bar   -   Direitos de autor  Alberto Pezzali/Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved
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Inglaterra vive, esta segunda-feira, o "dia da liberdade", assim popularizado para assinalar a data em que a maior parte das leis para limitar a propagação de covid-19 foram levantadas no país. O distanciamento social, o uso de máscaras e os limites às reuniões desapareceram.

No entanto, muitas pessoas e empresas vão continuar a cumprir as medidas sanitárias, devido ao crescente número de infeções. O primeiro-ministro Boris Johnson está determinado a restaurar as liberdades, mas há quem tema que se trate de um erro perigoso.

Há uma total perplexidade quanto à razão pela qual um país escolhe expor deliberadamente metade da população a elevados níveis de infeção
Deepti Gurasani
Epidemiologista

Bares lotados

Após 18 meses, o Clapham Grand vai voltar ao normal. Apesar de ser segunda-feira, o bar londrino voltará a estar lotado, sem qualquer distanciamento imposto, com “1250 pessoas a abraçar-se, a dançar e a cantar”, diz o gerente, Ally Wolf.

O funcionamento do espaço vai, contudo, continuar a respeitar algumas das medidas de segurança herdadas da pandemia. “O nosso pessoal vai continuar a usar máscaras e muitas das normas de higiene que implementámos vão simplesmente continuar. É senso comum, não é? As pessoas precisam de cuidar de si e dos outros antes de chegarem ao local, certificando-se de que não têm covid, fazendo testes regularmente e após terem a vacinação completa”, afirma o responsável.

Com cerca de metade da população totalmente vacinada, o governo britânico diz que é tempo de deixar o bom senso gerir a covid e admite que as infeções cheguem aos 100 mil casos diários ainda este verão.

Cientistas de todo o mundo, tal como a epidemiologista e professora na Universidade de Londres Queen Mary, Deepti Gurasani, consideram a decisão prematura e perigosa.

"Há uma total perplexidade quanto à razão pela qual um país que tem médicos tão bons, com pareceres científicos, escolhe expor deliberadamente metade da população, milhões de pessoas, a elevados níveis de infeção, quando podiam ser vacinadas nas próximas semanas, e por que opta por um caminho que vai levar não só a um aumento do stress nos nossos sistemas de cuidados de saúde e a uma grande quantidade de pessoas à espera de cuidados, mas que também vai ter impactos a longo prazo na saúde de muitos jovens, incluindo crianças".

Com o ministro da Saúde positivo e o primeiro-ministro em isolamento, o Reino Unido passa a poder andar sem máscara em sítios públicos, como lojas. No entanto, em locais com muita gente, o uso continua a ser aconselhado, ou mesmo obrigatório, em muitas empresas e transportes públicos.

As pessoas mais vulneráveis à infeção, como Ricardo Sefton, que sofre de uma doença autoimune, sentem-se agora menos seguras.

"Tive covid em janeiro e desde então tenho vindo a sofrer de covid prolongada. Será que é assim tão inconveniente usar máscara? Eu também sofro quando uso, tenho dificuldade em respirar. Mas não me importo, tendo em conta que um pequeno pedaço de tecido na minha cara pode ajudar”, afirma.

Boris Johnson perguntou: “se não se pode levantar restrições no verão, quando é que se pode?”.

No que diz respeito à covid-19, as decisões do líder do governo britânico toma decisões apenas em Inglaterra. Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte querem mais tempo para levantar todas as restrições. Para o resto do Reino Unido, ainda não é o momento certo.