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Emmanuel Macron e Charles Michel entre as vítimas da "Pegasus"

Emmanuel Macron e Charles Michel, juntos, no recente G20, na Cornualha
Emmanuel Macron e Charles Michel, juntos, no recente G20, na Cornualha Direitos de autor Phil Noble, Pool via AP
Direitos de autor Phil Noble, Pool via AP
De  Francisco Marques
Publicado a Últimas notícias
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Presidente de França e atual Presidente do Conselho Europeu terão sido espiados por Marrocos em 2019

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O Presidente de França, Emmanuel Macron, e o atual Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, serão mais duas das vítimas da aplicação de espionagem israelita "Pegasus".

De acordo com o jornal "Le Monde" e a rádio "Franceinfo", parceiros do consórcio "Forbiden Stories" na revelação do "Projeto Pegasus", em 2019 pelo menos um dos números de telemóvel de Emmanuel Macron, outro do então primeiro ministro francês Édouard Philippe e os números de mais 14 ministros à altura em exercício no Eliseu terão sido pirateados e vigiados pelo Governo de Marrocos.

A espionagem terá sido executada através da aplicação informática desenvolvida pela empresa israelita NSO e que permite invadir telemóveis furtivamente e sem ser notada com acesso a todos os dados e comunicações gravadas nesse terminal, assim como proceder a escutas de chamadas.

Os números do Presidente Macron e dos governantes franceses estão entre os mais de 50 mil números obtidos e analisados pelo consórcio "Forbiden Stories" e pela Amnistia Internacional, que terão sido espiados em todo o mundo através da "Pegasus".

De acordo com a revelação desta terça-feira, na sequência da publicação na véspera do "Projeto Pegasus" em diversos meios de comunicação associados ao consórcio, Marrocos terá recorrido à aplicação israelita para espiar pelo menos 10 mil números de telefones.

Desses telemóveis controlados por Marrocos, pelo menos 10% seriam franceses e entre eles estariam também os números de jornalistas do portal Mediapart, conhecido por ter estado associado a outro consórcio de meios de comunicação que publicou, por exemplo, as investigações "Football Leaks" e "Panama Papers".

Contactado pelo jornal "Le Monde", o Palácio Eliseu, residência oficial do Presidente da República Francesa e sede do Conselho de Ministros, respondeu: "se as informações relatadas são verdadeiras, são obviamente muito graves. Tudo será esclarecido em relação a essas revelações."

A Justiça francesa já abriu uma investigação sobre a alegada utilização da "Pegasus" para espiar governantes e jornalistas de França.

Governo belga espiado

O jornal belga "Le Soir" noticiou que também o telemóvel do atual Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, terá sido também alvo de espionagem marroquina com recurso à aplicação israelita na mesma altura, quando ainda era primeiro ministro da Bélgica.

"Estávamos consciente da ameaça e foram tomadas medidas para limitar os riscos", afirmou Charles Michel, em declarações ao jornal "Le Soir".

No caso do antigo chefe de Governo belga, o telemóvel não pôde ser analisado pelo "Security Lab" da Amnistia Internacional e por isso não foi possível confirmar se o aparelho tinha sido de facto "infetado" e controlado através da "Pegasus".

Outras fontes • Le Monde, Le Soir

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