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Pichardo é campeão olímpico e até podia ter o pódio só para ele

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De  Francisco Marques
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Pedro Pichardo, do Benfica, devolveu o ouro olímpico a Portugal 13 anos depois
Pedro Pichardo, do Benfica, devolveu o ouro olímpico a Portugal 13 anos depois   -   Direitos de autor  AP Photo/David J. Phillip
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Pedro Pichardo é campeão olímpico de triplo salto e sucede na lista de portugueses com a medalha de ouro na modalidade a Nelson Évora, que este ano se despediu da carreira olímpica.

O lusocubano, de 28 anos, que representa o Benfica, saltou 17,98 metros e arrasou a concorrência . O salto vencedor é um novo recorde nacional e surgiu ao terceiro ensaio depois de dois saltos iguais, de 17,61 metros, que valeriam também as medalhas de prata e bronze.

O segundo no pódio foi o chinês, Yaming Zhu, com um salto de 17,57 metros.

Pedro Pichardo garantiu facilmente o acesso aos três saltos finais, exclusivos para os oito melhores classificados. Fez um nulo ao quarto, prescindiu do quinto e ao sexto, já com o ouro garantido, "voou" em busca do sonho, mas o esforço voltou a ser nulo. O melhor já estava.

Pichardo garante para Portugal a quarta medalha em Tóquio2020 e confirma a melhor prestação olímpica nacional numa edição dos Jogos Olímpicos, ao lado de Jorge Fonseca (bronze, judo, -100Kg), Patrícia Mamona (prata, triplo salto) e Fernando Pimenta (bronze, K1 1000m).

Foi ainda a quinta medalha de ouro olímpico portuguesa depois de Carlos Lopes (maratona, Los Angeles, 1984), Rosa Mota (maratona, Seul, 1988), Fernanda Ribeiro (10 mil metros, Atlanta, 1996) e Nelson Évora (triplo salto, Pequim, 2008).

"Tinha ofertas de várias países e por acaso nem fui eu que escolhi representar Portugal, foi o meu pai", admitiu o triplo saltador lusocubano, em declarações à RTP, minutos depois de se sagrar campeão olímpico.

Por motivos políticos, Pichardo, que se naturalizou português em 2018, não pensa regressar ao país onde nasceu e pelo qual chegou a competir e a ganhar medalhas em Mundiais de atletismo: "Agora não posso entrar em Cuba, mas na minha cabeça não está na ideia de regressar."

Sobre a primeira subida ao topo de um pódio olímpico, o campeão olímpico português, que tinha o sonho e se achava preparado para bater o recorde do mundo (18,29 metros), disse não ser "muito de chorar", mas garantiu: "Já sei o hino [português] há muito tempo, o único problema é o sotaque".

Nas reações, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa foi um dos primeiros a felicitar "Pedro Pichardo pela conquista da medalha de ouro".

"Naquela que já é a melhor participação de sempre de Portugal nos Jogos da Era Moderna, Pedro Pichardo alcançou a glória do ouro olímpico, a quinta destas medalhas na história de Portugal", enalteceu o Chefe de Estado "em nome de Portugal e dos Portugueses".

Algumas horas depois do Presidente, o primeiro-ministro António Costa também se manifestou e disse que "Pedro Pichardo voou para o outro num triplo salto histórico e inesquecível" que o encheu "de emoção e alegria".

"O melhor resultado de sempre em Jogos Olímpicos e um enorme orgulho para todos nós. Cada centímetro é ouro, mas também muito trabalho", Parabéns, campeão", escreveu António Costa nas redes sociais.

Outros portugueses em prova

Na canoagem, Teresa Portela chegou à final de K1 500 metros, até teve um bom arranque na regata das medalhas, mas foi ultrapassada pela forte concorrência e acabou em sétimo, o melhor resultado olímpico da portuguesa no meio quilómetro depois de já ter sido 11.ª no Rio de Janeiro 2016 e em Londres 2012 além de 14.° lugar em Pequim 2008.

O pódio de K1 500 metros foi ocupado pela favorita, a neozelandesa Lisa Carrington (ouro), a húngara Tamara Csipes (prata) e a dinamarquesa Emma Asstrand Jorgensen (bronze). Portela ficou a 4,5 segundos da vencedora.

No quadro masculino dos 10 quilómetros em águas abertas, prova também conhecida como maratona de natação, o português Tiago Campos estreou-se em Jogos Olímpicos com um 23.° lugar, entre 26 nadadores, a mais de 11 minutos do vencedor, o alemão Florian Wellbrock, que nadou a distância em 1:48:33,7 horas.