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Mudanças Climáticas: Acordo de Paris não será suficiente

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De  Euronews
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Mudanças Climáticas: Acordo de Paris não será suficiente
Direitos de autor  ALAIN JOCARD / AFP
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O clima da Terra está a ficar tão quente que as temperaturas irão provavelmente ultrapassar brevemente o nível de aquecimento que os líderes mundiais procuraram evitar.

É a conclusão do relatório divulgado esta segunda-feira pelas Nações Unidas e apresentado como um "código de alerta para a Humanidade".

Comparando com a era pré-industrial, a temperatura aumentou 1,1° até 2021 e, se nada for feito, em 2040 terá aumentado 1,5°; em 2060, 2° e em 2100, 2,7°. O acordo de Paris pretende limitar a subida da temperatura 1,5°

Valerie Masson-Delmotte, uma das peritas do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC), realça que "cada meio grau adicional de aquecimento provocará aumentos na intensidade e frequência dos calores extremos, precipitação intensa e seca. A 2 graus de aquecimento global as temperaturas extremas atingiriam mais frequentemente limiares críticos para a agricultura e para a saúde humana".

Nos cinco cenários que foram considerados, as metas do Acordo de Paris serão ultrapassadas, e todas as tendências vão piorar, segundo o estudo elaborado por 234 cientistas mundiais.

Em cada cenário, segundo o relatório, o mundo atravessará a marca de 1,5 graus Celsius de aquecimento nos anos 2030, mais cedo do que algumas previsões do passado. O aquecimento tem aumentado nos últimos anos, mostram os dados.

Inger Andersen a diretora executiva do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) acusa: "Vocês, peritos, andaram a falar-nos, nas últimas três décadas, dos perigos de deixarmos o planeta aquecer. O mundo ouviu, mas não escutou. O mundo ouviu, mas não agiu com força suficiente. E como resultado, as alterações climáticas são um problema aqui e agora. Ninguém está a salvo e está a piorar cada vez mais depressa".

A deterioração é geral. Nenhuma região do globo está a salvo. O aquecimento já está a acelerar a subida do nível do mar, a diminuição do gelo e o agravamento de extremos como ondas de calor, secas, inundações e tempestades. Os ciclones tropicais estão a ficar mais fortes e húmidos, enquanto o gelo do mar Ártico está a diminuir no Verão e o permafrost está a descongelar, com consequências imprevisíveis para a Humanidade.

O pior é que alguns danos provocados pelas alterações climáticas - as camadas de gelo que diminuem, a subida do nível do mar e as alterações nos oceanos à medida que perdem oxigénio e se tornam mais ácidos - são "irreversíveis durante séculos a milénios", segundo o relatório.

Mais de 100 países comprometeram-se informalmente a atingir o "zero" de emissões de dióxido de carbono causadas pelo homem por volta de meados do século, o que será uma parte fundamental das negociações sobre o clima neste outono na Escócia. O relatório afirma que esses compromissos são essenciais.