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Afegãos desesperam para deixar o país, NATO pede bom senso aos talibãs

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De  Bruno Sousa
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Afegãos desesperam para deixar o país, NATO pede bom senso aos talibãs
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Deixar o Afeganistão tornou-se uma missão praticamente impossível desde a chegada dos talibãs ao poder. Junto ao aeroporto internacional de Cabul não hesitam em dispersar a multidão a tiro e no acesso ao aeroporto, os postos de controlo, frequentemente violentos, impedem as entradas. Ainda assim, centenas de pessoas aguardam uma oportunidade para sair do país.

Apesar das promessas de que desta vez será diferente, desde que tomaram Cabul, os talibãs têm vindo a perseguir quem colaborou com o governo ou com as forças internacionais presentes na capital afegã. A busca faz-se porta a porta.

De acordo com o relato de um agente de polícia afegão, que preferiu manter o anonimato, "os talibãs chegaram de noite a Cabul e na manhã seguinte, às oito horas, um grupo armado estava em minha casa à minha procura e a mostrar a minha fotografia aos vizinhos, porque era um agente de polícia e trabalhava para o ministério do Interior."

Os talibãs insistem que os seus soldados não têm direito de invadir propriedade privada mas admitem que isso tem acontecido, possivelmente por ignorância.

Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO, apela ao bom senso dos líderes talibãs:

"Os talibãs precisam de estar à altura dos seus compromissos internacionais. Não podem servir como base para organizações terroristas como a Al Qaeda ou o Estado Islâmico. Têm de respeitar os direitos humanos, incluindo os direitos das mulheres, e permitir que as pessoas abandonem o país, e isso claro que inclui os afegãos."

O desespero que se vive nas ruas de Cabul contrasta com o discurso oficial dos talibãs, mais empenhados do que nunca em apagar o passado e passar a imagem de um novo regime, mais tolerante.