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Explosões mortais no aeroporto de Cabul

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De  Euronews
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Cabul, Afeganistão
Cabul, Afeganistão   -   Direitos de autor  Wali Sabawoon/Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved.
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Duas explosões abalaram o exterior do aeroporto de Cabul, a capital do Afeganistão, uma delas perto do Baron Hotel. O número de mortos e feridos continua a aumentar. Em conferência de imprensa o general McKenzie, dos EUA, adiantava que há 12 elementos da Marinha do seu país entre os falecidos e 15 militares feridos. Entre os afegãos os números são ainda desconhecidos já que, explicava, foram levados para vários hospitais. Mas há quem já fale em mais de uma centena de feridos e de sessenta mortos.

Uma organização não governamental italiana, a "Emergency", escrevia nas redes sociais que só ao seu posto de atendimento médico em Cabul chegaram já, cerca de 60 pessoas feridas e mais seis já mortas.

Os bombistas suicidas e atiradores atacaram a multidão perto do aeroporto de Cabul. militares dos EUA também se encontravam entre os feridos.

O grupo Estado Islâmico no Afeganistão - dissidentes dos Talibãs e que têm uma visão ainda mais extremista do Islão reivindicou, entretanto os ataques. O grupo viu as suas fileiras reforçadas pela libertação de prisioneiros pelos Talibãs.

Um atentado "anunciado"

Esta situação não é, de todo, inesperada. Havia alertas de que poderia ocorrer um ataque. O ministro britânico das Forças Armadas confirmava-o, esta manhã, ao canal público de televisão britânico dizendo que havia "informações muito, muito credíveis de um ataque" ao aeroporto estava "iminente", possivelmente dentro de "horas". O Primeiro-ministro belga acrescentava que o seu país tinha recebido informações dos EUA e de outros países sobre uma "ameaça de ataques suicidas contra" esta massa de pessoas que continua no exterior do aeroporto de Cabul.

O porta-voz dos Talibãs tinha negado que houvesse qualquer ataque iminente mas a verdade é que são várias as forças extremistas que operam no terreno e mesmo no seio dos Talibãs não há apenas uma liderança e um grupo de combatentes. Há várias tribos com lideranças diferentes. Pelo que o consenso não existe, de facto.

Milhares de pessoas têm-se reunido no exterior do aeroporto de Cabul para tentar fugir do país por via aérea, em aviões de países da NATO, por temerem represálias por parte dos Talibãs. A situação tem vindo a degradar-se desde que este grupo extremista tomou o poder, no início deste mês.

Fim da operação de evacuação

O ataque acontece quando se aproxima o fim do processo de repatriamento de cidadãos estrangeiros e de partida de parte dos afegãos que apoiaram, de alguma forma, as forças internacionais, e as suas famílias, ao longo dos últimos anos. Alguns países já terminaram as suas evacuações e começaram a retirar os seus soldados e diplomatas, assinalando o início do fim de uma das maiores evacuações aéreos da história.

O general McKenzie adiantava que a missão dos EUA continua a ser a mesma a de retirar do país os cidadãos americanos que queiram fazê-lo e "afegãos em perigo".

No país ainda estarão cerca de 1500 cidadãos dos EUA.

O que pode dificultar o processo, como frisava este militar, é que a ameaça que a aliança internacional, e em particular os EUA, tem pela frente neste momento no terreno "é real", uma ameaça por parte dos combatentes extremistas.

Já a Chanceler alemã afirmava, esta quinta-feira, que a Alemanha tentará ajudar os afegãos que trabalharam com os seus soldados e organizações humanitárias que desejam deixar o Afeganistão mesmo após um prazo definido por Joe Biden para pôr fim à operação de evacuação.

Pelo menos até aqui os Talibãs tinham honrado a promessa de não atacar as forças ocidentais durante a evacuação. Ainda assim, insistiam que as tropas estrangeiras devem sair do país até à data definida por Joe Biden, 31 de agosto.

As mulheres e as meninas são aquelas por quem mais se teme. A presidente da Comissão Europeia dizia-o anteontem depois do encontro do G7 onde se debateu a situação no Afeganistão.