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Europa e a sombra do extremismo

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De  Pedro Sacadura
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Europa e a sombra do extremismo
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Há duas décadas, a Europa acompanhava, à distância, os atentados terroristas do 11 de setembro que deixaram o mundo inteiro boquiaberto.

Sem saber, a União Europeia também viria a ser novamente vítima do extremismo. Os europeus tiveram de adaptar-se a uma ameaça silenciosa e de aprender várias lições.

Mas estará a Europa no caminho certo para prevenir eventuais ataques a serem preparados?

Os especialistas em matéria de inteligência e segurança lembram que não há escudos antiterrorismo à prova de bala, fora das fronteiras europeias.

"Fizeram-se progressos depois de 2001. Mais tarde, infelizmente, houve os ataques de Madrid, de Londres. Adaptámos a legislação e demos mais recursos. Acredito que é preciso fazer o que França e outros países estão a fazer atualmente na região do Sahel. Porque é que estamos no Sahel? Claramente para manter a ameaça o mais longe possível das fronteiras europeias. Pode parecer uma política perigosa, questionável do ponto de vista legal e político. É uma questão de segurança para a Europa", sublinhou, em entrevista à Euronews, Claude Moniquet, diretor-executivo do Centro Europeu de Inteligência Estratégica e Inteligência.

A retirada dos EUA do Afeganistão, 20 anos depois do início da intervenção militar no terreno, deixou um vazio estratégico e o caminho aberto para novas ameaças.

Com o controlo dos talibãs, os interesses europeus na região podem vir, potencialmente, a ser alvo da ameaça terrorista. Mas há outros riscos, acrescentou Moniquet: "Existem dois riscos sérios. O primeiro, ainda que limitado, é ter terroristas a chegar à Europa como refugiados, tal como aconteceu em 2013 e 2014, oriundos da Síria, e que provocaram os atentados de Paris e Bruxelas. Acima de tudo, esta é uma vitória para a jiade global. A tomada de Cabul pelos talibãs foi considerada uma vitória. Podemos perceber isso claramente nas redes sociais e esse facto pode dar um novo impulso à jiade."

Em particular a grupos como a Al-Qaeda e o autodenominado Estado Islâmico, presentes no Afeganistão. Um sinal de alerta para a Europa e para o mundo de que o Afeganistão pode assumir-se como terreno fértil para a exportação do extremismo.