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Falta de vacina anticovid suspende três mil profissionais de saúde

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De  Francisco Marques
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Falta de vacina anticovid suspende três mil profissionais de saúde
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Emmanuel Macron admitiu esta quinta-feira à noite aliviar as restrições anticovid em França se os números da epidemia mantiverem uma evolução favorável, mas uma das medidas para proteger os franceses está a gerar controvérsia apesar do impacto negativo aparentemente mínimo.

Desde quarta-feira, o Governo francês impõe aos profissionais do setor da Saúde o processo de vacinação, pelo menos em curso, para poderem trabalhar.A falta de vacina anticovid levou à suspensão de três mil profissionais, nas contas do ministro Oliver Véran.

Nas contas do titular da pasta da Saúde, o número de suspensões é irrisório: cerca 0,12% de um universo de 2,5 milhões de profissionais de cuidados ou assistência médica.

"De forma responsável, os profissionais de Saúde vacinaram-se para se protegerem e para protegerem os pacientes. No primeiro dia de vacinação obrigatória, a medida garantiu continuidade, segurança e qualidade do atendimento nos nossos hospitais e lares", escreveu Véran, numa publicação nas redes sociais associada ao vídeo de uma entrevista concedida quinta-feira de manhã.

Para os profissionais de Saúde não vacinados, por outro lado, à mesma hora da entrevista, havia à espera uma carta para a suspensão de funções. Foi o caso de Mélanie Pellicia, secretária médica.

"Aqui está", afirmou Mélanie, à saída do Hospital Saint-Antoine, em Paris, com a carta na mão: "Estou suspensa".

"A partir de hoje, não tenho direitos a não ser o direito à segurança social se me acontecer alguma coisa. Já não sou reconhecida na minha função", diz, comovida, a secretária médica não vacinada contra a Covid-19.

Apesar do alegado impacto mínimo no universo de profissionais de Saúde, esta imposição do Governo francês veio destapar outro problema no setor: o do reforço de pessoal em alguns dos hospitais afetados pelas suspensões.

"Tentámos o regresso de alguns funcionários. Pedimos aos que temos se aceitavam fazer horas extra", revela uma funcionária não identificada de um hospital em Monpellier.

França anunciou, entretanto, esta quinta-feira, a tendência de desagravamento da epidemia com o registo de mais 8.128 novas infeções em 24 horas, menos dois mil em comparação com a quinta-feira da semana passada.

O país mantém ainda 9,297 "doentes covid" hospitalizados, incluindo 1.952 em cuidados intensivos.

Em termos de vacinação, as autoridades de saúde franceses indicavam quase 50 milhões de pessoas com pelo menos uma dose de vacina anticovid, incluindo 47,2 milhões (67%) com a vacinação completa.

Em Itália, foi também implementada uma medida similar ao setor da Saúde. De início, as suspensões por falta de vacina ascenderam a 936 profissionais de saúde, mas 208 corrigiram a situação e esta sexta-feira havia registo de 728 médicos ainda por vacinar na "bota" da Europa.

O governo transalpino decidiu entretanto reforçar a campanha de incentivo à vacinação e decidiu alargar a todos os trabalhadores, sejam do setor privado ou do público, a obrigação de apresentar certificado de proteção contra a Covid para poderem exercer as funções.

A medida entra em vigor a 15 de abril e é justificada com a vontade do executivo de continuar a abrir a economia e a sociedade com o máximo de segurança anticovid possível.

Portugal lidera vacinação mundial

Em Portugal, onde o plano de vacinação está a ser um grande sucesso e mais de 80% da população já está protegida contra a Covid-19 ou pelo menos com o processo iniciado, não foi necessário tornar a vacinação obrigatória para quaisquer trabalhadores.

Esta quinta-feira, o primeiro-ministro António Costa elogiou "a forte adesão da população [à vacinação], o empenho dos profissionais de Saúde e um implementação eficaz da estratégia de vacinação".

O chefe do Governo português considerou que tudo junto contribuiu para tornar "Portugal um dos países do mundo com maior taxa de vacinação contra a Covid-19+", num processo liderado desde fevereiro deste ano pelo vice-almirante Gouveia e Melo.

Numa publicação na rede social Twitter, António Costa alertou, no entanto, com base no que ouviu na reunião com especialistas no Infarmed, que a epidemia não é passado e que é preciso manter a ofensiva contra o SARS-CoV-2.

"Cabe a cada um de nós manter as regras de proteção para continuarmos a vencer o vírus", rematou o primeiro-ministro.

Em termos de setor laboral, em agosto, o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) admitiu, em declarações à RTP, que embora as empresas não possam impedir o acesso de funcionários não vacinados ao trabalho, a lei em vigor abre espaço para a contratação apenas de pessoas já vacinadas contra a Covid-19 ao abrigo, por exemplo, da proteção de terceiros.

No Código do Trabalho, sublinhava na altura o jornal digital ECO, é referido que, "para além das situações previstas em legislação relativa a segurança e saúde no trabalho, o empregador não pode, para efeitos de admissão […] no emprego, exigir a candidato a emprego […] a realização ou apresentação de testes ou exames médicos, de qualquer natureza, para comprovação das condições físicas ou psíquicas, salvo quando estes tenham por finalidade a proteção e segurança do trabalhador ou de terceiros, ou quando particulares exigências inerentes à atividade o justifiquem, devendo em qualquer caso ser fornecida por escrito ao candidato a emprego ou trabalhador a respetiva fundamentação".

Outras fontes • AFP, Franceinfo, Lusa, RTP, ECO