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População de San Marino aprova legalização do aborto

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De  euronews
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População de San Marino aprova legalização do aborto
Direitos de autor  AP Photo/Antonio Calanni
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A população de San Marino aprovou, em referendo, a legalização do aborto. Cerca de 77% dos eleitores concordaram que as mulheres possam abortar de forma voluntária até às 12 semanas de gestação e depois deste período se houver risco para a grávida ou uma malformação fetal. Uma vitória para as 3 mil pessoas que assinaram a petição para convocar o referendo.

“Vencer por mais de 70% é um resultado extraordinário. Conseguimos unir pessoas de diferentes origens dentro do nosso sindicato. Existem mulheres que são membros de partidos de centro-direita e de centro-esquerda... mulheres que são católicas e que são ateias. Graças ao sindicato, criamos uma forte crença em torno do 'sim' - o que nos permitiu alcançar este resultado histórico”, sublinhou Karen Pruccoli, presidente do Sindicato das Mulheres de San Marino.

Agora a bola está do lado do Governo, que está a ser pressionado para mudar a lei. “San Marino tem uma ideia clara sobre isso. Esta questão vai além da política e dos partidos políticos. É algo que tem a ver com a vida privada e as próprias experiências das pessoas. Isto vai contribuir e ajudar-nos a elaborar uma nova lei que nos vai manter ocupados nos próximos seis meses”, disse Elena Tonnini, ministra do Interior de San Marino.

Muitas mulheres foram obrigadas a abortar em segredo durante anos, sobretudo fora do enclave. Nas ruas de San Marino, recolhemos reações ao resultado do referendo.

“É absolutamente necessário porque as mulheres devem ser protegidas no seu país caso decidam interromper a gravidez. O facto de San Marino não ter uma lei é muito mau sinal”, afirma uma mulher.

"Vivo em Itália, mas sou de San Marino. Faço parte do grupo de eleitores que vivem no exterior. Pessoas como eu tiveram a oportunidade de experienciar como as coisas funcionam noutros lugares... e de perceber que as pessoas têm todos os direitos necessários para proteger cada faixa etária e todos os géneros. É um sinal de alerta significativo para San Marino sair da Idade Média!”, diz outra mulher.

“As mulheres têm que ter bebés... Podem fazer o que quiserem, mas são poucas as crianças”, realça uma mulher mais idosa, que mostrou estar contra o resultado do referendo.

"San Marino era um dos poucos países europeus onde interromper a gravidez era ilegal. O debate sobre o aborto está longe de terminar na Europa. Em muitos casos, como na vizinha Itália, a legalização do aborto é o resultado de uma batalha que vem sendo travada há anos e que ainda não acabou. Apenas recentemente, a Itália aprovou o uso em ambulatório da pílula abortiva", conclui a correspondente da Euronews, Giorgia Orlandi.