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Pescadores sob pressão no braço-de-ferro do Canal da Mancha

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De  Francisco Marques com AFP, AP
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Muitos pescadores franceses em risco de perder o acesso às águas britânicas
Muitos pescadores franceses em risco de perder o acesso às águas britânicas   -   Direitos de autor  AP Photo/Michel Spingler, Arquivo
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O braço-de-ferro entre o Reino Unido e a França devido à pesca em águas britânicas pós Brexit está a provocar o desespero em muitos profissionais gauleses do setor.

Em Bolonha do Mar, na região administrativa da Alta França, nas margens do Canal da Mancha, os pescadores não entendem este aparente bloqueio britânico, mas parecem cada vez mais resignados perante a acentuada recusa das licenças de pesca pedidas por barcos franceses para as águas britânicas.

Jean Marie Baheu, capitão do "Murex", é um desses casos e garante ter seguido os trâmites do processo logo após a entrada em vigor do Bexit, a saída do Reino da União Europeia.

"Pedimos a licença no mês de janeiro. Entregámos o historial e todas as provas que conseguimos, e nós temos provas, mas não fez qualquer diferença", lamenta este pescador, a poucos dias do início da época de pesca das vieiras, também conhecidas em França como conchas "saint-jacques", para a qual muitos barcos gauleses recorrem a águas britânicas.

Um dos muitos pescadores franceses ainda a aguardar a decisão britânica sobre o pedido de licença de pesca, Jean Marie Baheu lembra, em declarações à France Press, que "de início havia revolta", mas que "cada vez mais" os pescadores gauleses estão "resignados" com a falta de licença para aceder a uma zona situada entre as 6 a 12 milhas do território britânico.

O acordo de pesca para o período de transição pós Brexit implica que os pescadores europeus apenas continuarão a ter acesso a águas britânicas se provarem, no pedido da licença ao Reino Unido, que já o faziam anteriormente.

Diretor de uma cooperativa de pesca artesanal em Étaples, localizada igualmente na região da Alta França, Étienne Dachicourt explica-nos que "os barcos desta região precisam de acesso às águas britânicas sobretudo na época de outubro e a janeiro".

"Estamos a chegar a essa altura. O problema é que nos vamos deparar com aproximadamente 90% da frota europeia, nomeadamente barcos franceses, belgas e neerlandeses, todos em águas francesas", avisa o responsável da "Coopérative Maritime Etaploise".

Jersey agrava atrito

Para agravar o atrito, o governo insular de Jersey, ilha britânica situada muito mais próximo do território continental francês do que da Grã-Bretanha, também rejeitou esta semana os pedidos de licença de pesca nas suas águas a 75 barcos gauleses.

França já pediu apoio à Comissão Europeia para mediar este aparente bloqueio britânico aos pescadores franceses.

"Desconhecemos ainda qual a informação que estava em falta porque nós entregámos basicamente tudo o que tínhamos. Se havia alguma coisa em falta, vamos trabalhar junto das autoridades francesas, neste assunto prioritário, para disponibilizar esses dados em falta ao lado britânico", afirmou Virginijus Sinkevičius, o comissário europeu para o Mar e a Pesca.

Na terça-feira, O Conselho Europeu aprovou uma reserva de €5 mil milhões para ajudar as empresas dos Estados-membros afetadas pela saída do Reino Unido da União Europeia. A pesca, por exemplo, enfrenta uma redução de 25% nas capturas em águas britânicas.

Este pacote de ajuda aprovado exige que estados-membros implicados reservem um mínimo de €238 milhões para apoiar os pescadores, embora exista a possibilidade de terem de gastar muito mais com as ajudas de custo para compensar o setor.

França, entretanto, acusa o governo britânico de tomar como "reféns políticos" os pescadores franceses e de não respeitar o acordo de transição pós Brexit fechado em dezembro.

As autoridades francesas ameaçam com "medidas retaliatórias" caso o Reino Unido não resolva rapidamente esta acentuada rejeição de acesso dos pescadores europeus às águas britânicas.