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Viticultores tentam antecipar-se ao aquecimento global

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De  Francisco Marques
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Viticultores preocupados com o futuro dos vinhos franceses
Viticultores preocupados com o futuro dos vinhos franceses   -   Direitos de autor  AP Photo/Kamil Zihnioglu/ Arquivo
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O aquecimento global está a afetar os ciclos de maturação das vinhas e o setor vinícola de França precisa de se adaptar às futuras condições climáticas.

Para tentar encontrar uma forma de os viticultores se anteciparem e conseguirem manter a qualidade do vinho quando o calor se instalar em França, foi lançado em 2007 no "terroir" de Bordéus o "ViAdapt", um projeto para estudar o potencial de diferentes castas de qualidade mundial e adaptar a produção francesa às novas condições climáticas.

A partir deste ano e com luz verde para continuar pelo menos por mais uma década, o projeto começou a integrar três castas tradicionais portuguesas, touriga nacional, tinto cão e alvarinho, a crescer ao lado de congéneres nativas como o merlot ou o cabernet sauvignon.

"Foi neste contexto [de aquecimento global] que criámos o projeto ‘VitAdapt’, onde plantámos castas de maturação mais demorada para ver como se adaptavam e se comportavam em Bordéus para tentar perceber se esta maturação tardia pode contrariar os efeitos do aquecimento global", explicou a engenheira agrónoma Agnés Destrac-Irvine, uma das líderes deste projeto vinícola.

O "VitAdapt" é promovido pelo Instituto francês de Investigação Agrícola (INRAE), começou em 2007 e atualmente integra 52 castas de qualidade mundial: 31 de uvas tintas e 21 de uvas brancas.

O objetivo é adaptar o setor à evolução do clima sem revolucionar a produção vinícola.

"Mantemo-nos fiéis à tradição. Não procuramos uma revolução nem criar um produto completamente atípico, que saia fora do Bordéus. Queremos trazer um pouco de frescura e também diferenciar-nos entre viticultores", disse Bernard Réglat, um viticultor de Bommes.

As previsões do aquecimento global anteveem para Bordéus, em 2050, um clima similar ao que atualmente se tem em Sevilha, no sul de Espanha.

A introdução de castas habituadas a climas mais quentes, acreditam os investigadores, pode ajudar a manter a qualidade do vinho francês quando o clima aquecer.

A próxima etapa do projeto é a participação de viticultores para testarem as novas castas em garrafa e por fim no copo.

Outras fontes • AFP