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Macron "ao lado" da Guiné-Bissau contra a corrupção e tráfico de droga

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De  Euronews  com Lusa
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Presidentes da Guiné-Bissau e de França no Palácio do Eliseu
Presidentes da Guiné-Bissau e de França no Palácio do Eliseu   -   Direitos de autor  EPA/CHRISTOPHE PETIT TESSON

O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse hoje apoiar os esforços da Guiné-Bissau no combate à corrupção e agradeceu a apoio do Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, na estabilização da região.

"Felicito os esforços corajosos e determinados do Presidente em termos de luta contra a corrupção e contra o tráfico, particularmente o tráfico de droga, que durante tanto tempo desestabilizaram o país. A França está ao vosso lado para apoiar os vossos esforços", afirmou Emmanuel Macron aos jornalistas antes do início do encontro no Palácio do Eliseu com Umaro Sissoco Embaló.

O Presidente da Guiné-Bissau está em Paris para uma visita oficial de dois dias a convite do chefe de Estado francês e aproveitou para agradecer o apoio francês, assegurando que o seu país está a viver "uma nova dinâmica".

"Posso assegurar que a Guiné-Bissau voltou a encontrar o seu caminho após longos anos de instabilidade. A França esteve sempre ao lado da Guiné-Bissau. Hoje estamos a viver uma nova dinâmica", reforçou Umaro Sissoco Embaló, que fez questão de falar em francês.

Outro dos pontos fortes na agenda dos dois líderes é o contexto regional, com a instabilidade criada pelos golpes de Estado na Guiné-Conacri, que faz fronteira com a Guiné-Bissau, e no Mali.

"O nosso encontro vai servir também para evocar a situação na região, quer seja o Sahel ou a África Ocidental. Neste ponto, a França apoia completamente as exigências da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental [CEDEAO] relativamente às autoridades guineenses e malianas. Estamos prontos, com os nossos parceiros europeus, a transmitir e ajudar a que se concretizem as decisões tomadas nos próximos dias pela CEDEAO", disse o Presidente francês.

Já Umaro Sissoco Embaló reconheceu os "problemas" na região, mas focou-se no futuro da juventude africana, dias após o Presidente francês ter organizado uma cimeira França-África em que a juventude esteve em destaque.

"Sabemos o quão próximo é da juventude africana. Nós somos os dois jovens e penso que a minha política, tal como as políticas francesas, podem ajudar a criar empregos e universidades para pouparmos a nossa juventude de morrer inutilmente no mar", indicou o Presidente da Guiné-Bissau.

Ainda na discussão entre os dois líderes estará o reforço da francofonia na Guiné-Bissau, assim como a ajuda da França ao setor da agricultura.

A delegação desta visita do Presidente da Guiné-Bissau a França inclui o ministro das Finanças, João Fadiá, e o ministro da Defesa, Sandji Fati, e estes governantes vão ter também reuniões bilaterais com os seus homólogos ou com os seus representantes em Paris.

Golpe de Estado travado

O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general Biagué Na N'Tan, denunciou na quinta-feira tentativas de mobilizar militares com dez mil francos cfa (cerca de 15 euros) para reverter a ordem constitucional.

"Quero pedir-vos, vocês da Polícia Militar, para não alinharem com as pessoas que estão a mobilizar militares nos quartéis, porque nada se esconde hoje”, afirmou o general.

Segundo o general, os jovens mobilizados denunciam a situação aos superiores, porque “sabem que querem estragar o seu futuro”.

“Os dez mil francos cfa que estão a distribuir para abertura de conta bancária não resolvem os vossos problemas e os da vossa família", advertiu o chefe das forças armadas guineenses.

Biagué Na N’Tan falava na cerimónia para assinalar o dia da Polícia Militar (PM) da Guiné-Bissau. O batalhão da Polícia Militar guineense é constituído por dezenas de efetivos e responde diretamente à divisão de operações e treino do Estado-Maior General das Forças Armadas.

Na ocasião, o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas apelou aos militares para não alinharem com as pessoas que querem desestabilizar a Guiné-Bissau, exortando-os a que ajudem na edificação da paz no país.

"Quero garantir-vos que as forças armadas desistiram da política e vocês também não devem envolver-se na política. Desistam da política, camaradas. Conheço todos os militares que estão a tentar mobilizar-vos, mas quero pedir-lhes para pararem, porque quem sai prejudicado somos nós, os militares”, afirmou.

Segundo o general guineense, os militares envolvidos naquelas situações são detidos e ficam sem salário, “a mendigar”, e os políticos “ficam à vontade”.

"As forças armadas estão a caminhar progressivamente, mas temos de acompanhar essa dinâmica com paz e estabilidade, porque sem paz não podemos fazer nada e nem podemos pensar que haverá investimentos do setor privado no nosso país", disse.

A Guiné-Bissau já foi alvo de vários golpes de Estado, tendo o último ocorrido em 2012 e militares guineenses estão desde então sob sanções das Nações Unidas.