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Aristides de Sousa Mendes no Panteão

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De  Teresa Bizarro  com Lusa, RTP
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Aristides de Sousa Mendes no Panteão Nacional, em Lisboa
Aristides de Sousa Mendes no Panteão Nacional, em Lisboa   -   Direitos de autor  Armando Franca/AP

Mais de 30 mil pessoas salvas. Aristides de Sousa Mendes está no melhor lado da história da Segunda Guerra Mundial e desde esta terça-feira a memória está também impressa numa das salas do Panteão Nacional, em Lisboa.

O nome do antigo cônsul de Portugal em Bordéus fica guardado entre os mais distintos da nação, num túmulo sem corpo. Os restos mortais permanecem na terra-natal de Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato, no distrito de Viseu.

Na abertura da cerimónia, o elogio do diplomata coube a Margarida de Magalhães Ramalho, historiadora e coautora do Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes. "O que é que este homem fez? Uma coisa muito simples: desobedeceu. E se é preciso coragem para seguir ordens com as quais não concorda, mais difícil é seguramente seguir a consciência e não as cumprir," afirmou.

Para o Presidente português, "Aristides de Sousa Mendes mudou a história de Portugal e projetou portugal no mundo". Marcelo Rebelo de Sousa diz que Portugal se curva perante a personalidade moral do antigo cônsul Aristides de Sousa Mendes, que salvou milhares de judeus, mostrando-se “eternamente grato”, e recordando-o "hoje e para sempre".

O chefe de Estado defendeu também que “não há raças, etnias, religiões, culturas, civilizações que sejam umas mais do que outras”, salientando que as entradas no Panteão Nacional em democracia, nomeadamente de mulheres, expressam a diversidade da sociedade portuguesa.

“Aqui entrou Aristides de Sousa Mendes e aqui permanecerá até ao fim dos tempos, se os tempos tiverem fim”, declarou.

As honras da cerimónia foram feitas pelas três mais altas figuras da nação. Presidente da Reública, Presidente do Parlamento e primeiro-ministro formalizaram a homenagem. Na plateia estavam também vários descendentes de judeus salvos por Aristides Sousa Mendes durante a segunda guerra mundial.

Reconhecimento tardio do papel do diplomata

O consul assinou vistos à revelia das autoridades portuguesas, foi expulso da carreira diplomática e acabou por morrer na miséria. A filha, Marie Rose, que vive em França, lembra-se que já tinha 20 anos quando uma amiga lhe mostra um livro que fala de Aristides de Sousa Mendes. Foi nesse momento que percebeu a grandeza do papel do pai.

"É teu familiar?," perguntou-lhe a amiga. "Sim, é o meu pai", respondeu.

Em Portugal, Aristides de Sousa Mendes só é reabilitado publicamente em 1988, ano em que a Assembleia da República decreta, por unanimidade, a reintegração, a título póstumo, na carreira diplomática.

Antes, em 1966, o Memorial do Holocausto, em Jerusalém, atribui-lhe o título de ‘Justo entre as Nações’.