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Inflação ameaça agravamento dominó na agricultura

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De  Francisco Marques  com Agência Lusa
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Agricultor trabalha numa plantação de couves, na região Oeste de Portugal
Agricultor trabalha numa plantação de couves, na região Oeste de Portugal   -   Direitos de autor  TIAGO PETINGA/LUSA

O aumento do preço dos combustíveis e da energia pode vir a pesar ainda mais na carteira das famílias portuguesas.

Para além do impacto direto desses aumentos, também a fatura dos agricultores ameaça entrar em breve pela casa dos consumidores.

Adubos, inseticidas, ferragens e mão de obra estão entre as diversas despesas fixas dos produtores e está tudo a sofrer uma pesada inflação, ancorada no agravamento do custo dos combustíveis e da energia, indispensáveis na base da produção.

Os produtos, por outro lado e de acordo com os produtores, ainda mantém os preços junto do consumidor, mas da cooperativa Louricoop, na região Oeste, surge já um alerta: "Isto vai ser impossível e insustentável".

"Estamos com aumentos dos custos gerais na produção e estamos a vender ao mesmo preço ou mais barato do que se vendia anteriormente. O que se prevê é que, pelo menos parte destes aumentos e dos custos que temos tido, vão ter de se sentir no preço final porque se não os agricultores têm de parar", afirmou Sérgio Ferreira, secretário-geral da Louricoop, em entrevista à Lusa.

Na verdade, alguns agricultores já pararam e outros, como António Simões, ainda ponderam outras opções.

"Da maneira que está tudo, se for para continuar, não sei se não era melhor parar enquanto se pode e daqui a um tempo começar novamente porque estamos sujeitos a gastar o que temos e o que não temos. Por enquanto, se se parasse, ainda se continuava estável", considerou António Simões.

O agricultor, no entanto, já viu colegas de setor "a desistir". "Estão a voltar a empregar-se. Largaram os empregos há dois ou três anos, mas estão a voltar para lá porque não estão a conseguir trabalhar [no campo] da maneira que as coisas estão", disse.

Para já, António Simões pretende fechar este ano normalmente e no próximo, se os custos continuarem ao nível atual, pensa reduzir a área de produção de legumes em 40 ou 50% ou mudar parte para cereais, uma produção mais barata de se manter.

Mais acima na cadeia, na comercialização, o gerente da "Simples & Frescas", em Ribamar, propõe a subida dos preços junto dos consumidores para evitar uma queda em dominó.

"Se nós não conseguirmos um bocadinho de mais valia, se isto não subir, vai apanhar tudo por cadeia. Vai até às 'Louricoops', às 'casas Caria', essa gente toda. Vão apanhar por tabela porque os produtores não vão ter dinheiro para lhes comprar. Isto é um dominó", avisou João Pedro Fernandes, da "Simples & Frescas", que também explora um terreno agrícola de 50 hectares e apoia outros produtores que representam, na totalidade, 200 hectares agrícolas.

O dominó referido ameaça cair com estrondo na casa das famílias, onde o acesso a comida saudável, a legumes no caso, pode vir a ficar cada vez mais caro num país onde o salário mínimo se mantém abaixo dos €700 euros e o governo pouco pode fazer, para já, depois da recente dissolução do Parlamento devido ao chumbo do Orçamento do Estado e falta de apoio do executivo.