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Desperdício de produtos agrícolas no Reino Unido

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De  Luke Hanrahan
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A quinta LJ Betts, em Kent, no Reino Unido.
A quinta LJ Betts, em Kent, no Reino Unido.   -   Direitos de autor  Euronews

Este ano, grande parte dos legumes cultivados numa quinta na região britãnica de Kent, foram já desperdiçados, devido à falta de mão de obra. Desde o início do ano passado, o responsável pela quinta, Nicholas Ottley, não consegue encontrar trabalhadores.

"Este ano, já deitámos fora cerca de 150 toneladas de legumes, equivalentes a 30% da colheita."
Nicholas Ottley, gerente, LJ Betts Ltd.

Antes do Brexit, encontrava trabalhadores no leste da Europa mas agora tem que procurar no Uzbequistão, Kazaquistão e Tajiquistão. Questionado sobre a eventual utilização de mão de obra local, responde que não consegue encontrar trabalhadores.

"A solução da mão de obra local é pura retórica pois tenho feito tudo para encontrar britânicos, mas sem sucesso. Estou em contacto há quatro anos com o centro de emprego da cidade de Maidstone mas ainda não consegui encontrar uma só pessoa através do centro."
Nicholas Ottley, gerente, LJ Betts Ltd.

A 160 km de distância, no oeste de Sussex, um dos maiores produtores de hortaliças do Reino Unido está a braços com o mesmo desafio.

Este ano foi excecionalmente difícil encontrar mão de obra e têm havido atrasos no envio de trabalhadores através do programa de emprego sazonal do governo.
Julian Marks, Barfoots of Botley, Ltd.

O programa de emprego sazonal do governo britânico oferece vistos de curta duração a trabalhadores agrícolas. Este ano, os produtores podem recrutar 30.000 migrantes, ou mesmo 40.000, em caso de necessidade.

Mas ainda não foi autorizada a entrada dos 10.000 migrantes extra, para mitigar a escassez de mão de obra durante os períodos de pico de produção. Os agricultores esperam ter em breve esta autorização, antes que seja tarde demais.

A batalha para encontrar trabalhadores está a ser quase tão difícil como no ano passado, quando, numa só quinta do país, se desperdiçaram 600 toneladas de produtos agrícolas. Os agricultores dizem que, a menos que mais migrantes sazonais sejam autorizados a trabalhar, muitas quintas terão de fechar as portas.

O recrutamento e documentação dos migrantes demora no mínimo duas ou três semanas e as colheitas não podem esperar, porque uma vez que crescem para além de um certo ponto, não obedecem às normas de retalho do Reino Unido e vão para o lixo.
Julian Marks, Barfoots of Botley, Ltd.

Em resposta ao deasafio de mão de obra na agricultura, o governo britânico prolongou o programa de recrutamento de trabalhadores sazonais até o final de 2024 e deverá anunciar em breve novas medidas, com vista a atraír trabalhadores britânicos para o setor.