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Covid-19 e desigualdades agravam VIH/SIDA

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De  Euronews
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Covid-19 e desigualdades agravam VIH/SIDA
Direitos de autor  UNAIDS HIV prevention   -   USUNTV

Cinco décadas passadas sobre os primeiros casos, o vírus da SIDA continua a matar. A administração de antirretrovirais tem permitido uma maior esperança média de vida aos doentes infetados, mas, de acordo com um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), a pandemia de covid-19 trouxe riscos acrescidos.

Na apresentação do relatório, esta terça-feira, César Núñez,diretor do UNAIDS, O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre VIH/SIDA, em Nova Iorque, sublinhou que "a SIDA continua a ser uma pandemia", recordando que "no início, tínhamos a impressão de que as pessoas a viver com VIH não iam ser afetadas de forma diferente pela covid". No entanto, o responsável pelo programa da ONU afirmou que "essa ideia está errada. [Os pacientes] têm resultados mais graves e comorbilidades mais elevadas da covid-19 do que as pessoas que não vivem com o VIH".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a UNICEF destacam alguns números relativos aos VIH em 2020:

  • 37.700.000 pessoas no mundo inteiro vivem com o VIH
  • 73% de pessoas que vivem com o VIH receberam terapia antirretroviral vitalícia
  • 680 mil pessoas morreram devido a doenças relacionadas com o VIH
  • 1.500.000 pessoas foram infetadas, pelo menos 300 mil eram crianças
  • A cada 2 minutos, uma criança foi infetada

Cado não sejam "tomadas medidas transformadoras para combater as desigualdades e acabar com a SIDA", a diretora do UNAIDS, Winnie Byanyima, acredita que "o mundo ficará também preso na crise da covid e continuará perigosamente sem estar preparado para as pandemias vindouras".

"Não podemos ser forçados a escolher entre acabar com a pandemia da SIDA hoje e prepararmo-nos para as pandemias de amanhã. A única abordagem com sucesso conseguirá alcançar ambos. Neste momento, não estamos no bom caminho para alcançar nenhum dos dois"

Sem cura, nem vacina, o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) continua a disseminar-se, sobretudo onde o combate à SIDA, é ainda, em 2021, uma luta sem armas, ou com muito poucas.

Para o diretor Nacional da UNAIDS na Mauritânia, El Mustapha Attighie, "as desigualdades são a base de muitos sofrimentos, nomeadamente na luta contra a sida. Se os direitos humanos não forem respeitados, se houver estigma e discriminação e se as pessoas forem deixadas para trás, tudo isto aumenta os riscos de propagação de VIH/SIDA".

Na véspera do Dia Mundial da Luta Contra a SIDA, a ONU deixa o alerta: caso as desigualdades não sejam mitigadas, até 2030, o mundo pode vir a debater-se com 7.700.000 mortes relacionadas com o VIH.