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Certificado Covid vence rebelião britânica e volta a ser exigido para grandes eventos e discotecas

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De  Francisco Marques
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Fila num centro de vacinação de Manchester
Fila num centro de vacinação de Manchester   -   Direitos de autor  AP Photo/Jon Super

O Parlamento britânico aprovou a proposta do Governo para reforçar o peso do certificado Covid no controlo da Covid-19, numa altura em que a Ómicron ameaça tornar-se dominante na Grã Bretanha e tornar o país no mais afetado por esta nova variante de preocupação (VdP).

No pior dia da epidemia no Reino Unido desde janeiro, com quase 60 mil novas infeções, incluindo 633 com a nova VdP, o documento comprovativo de vacinação completa ou de teste negativo válido passa a ser obrigatório para aceder discotecas ou a espaços ou eventos para mais de 500 pessoas.

Apesar da rebelião entre os próprios conservadores contra o governo em muitas das medidas que o executivo de Boris Johnson propôs para travar a escalada do SARS-CoV-2, com 99 deputados da bancada "torie" a votar contra o certificado, a proposta acabou por ser aprovada por 369 votos contra 126. Valeu o apoio trabalhista.

O primeiro-ministro tinha alertado antes para um forte aumento de novos casos, mas não conseguiu convencer os pares da gravidade da situação, nomeadamente a rápida escalada da Ómicron, e teve de contar com o apoio da oposição para conseguir reforçar o peso do certificado covid.

O documento tem de comprovar que o portador já recebeu pelo menos duas doses de uma vacina anticovid ou que tem um teste negativo válido para que o acesso seja permitido, já a partir desta quarta-feira, a discotecas e locais com lotação para mais de 500 pessoas, como os estádios de futebol ou concertos.

O objetivo é a proteção dos hospitais. "Apesar do progresso, o Serviço Nacional de Saúde nunca irá ter um número ilimitado de camas nem de pessoas para cuidar dos doentes nessas camas. Por isso, se sentirmos que essa capacidade está em risco de colapso, temos de intervir", afirmou o ministro da Saúde do Reino Unido, Sajid Javid.

Aos 59.6190 novos casos, somaram-se ainda mais 150 mortes registadas em 24 horas no quadro da Covid-19. Associada à Ómicron ainda há só uma morte, registada no Reino Unido, mas sem se conhecerem mais detalhes além de que a pessoa foi diagnosticada já em ambiente hospitalar.

O agravamento da epidemia no Reino Unido e a abertura das doses de reforço para maiores de 18 anos levaram milhares de pessoas a formar longas filas para reforçarem a imunização.

Ómicron alastra

A mais recente variante de preocupação registada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) continua a alastrar rapidamente. Há cerca nove mil casos diagnosticados em pelo menos 77 países, mas o diretor-geral da OMS avisa que a VdP pode já estar muito mais disseminada do que se conhece.

Tedros Ghebreyesus insistiu que esta é uma variante que parece criar uma forma menos severa de Covid-19, mas sublinhou que a "Ómicron está a espalhar-se a um ritmo até aqui nunca visto noutra variantes".

"Estamos preocupados que as pessoas estejam a desvalorizar a Ómicron como ligeira, mas mesmo que causa doença menos severa o número absoluto de casos pode uma vez mais saturar sistemas de saúde pouco preparados", alertou o alto responsável da OMS.

Só as vacinas não vão tirar nenhum país desta crise. Os países podem e devem evitar a propagação da Ómicron com medidas que funcionam, hoje.
Tedros Adhanom Ghebreyesus
Diretor-geral da OMS

O diretor-geral da OMS sublinha que não se deve privilegiar as vacinas às máscaras, ao distanciamento social nem à ventilação ou higiene das mãos. "Façam tudo, façam-nos de forma consistente e façam-no bem", recomendou Tedros Adhanom Ghebreyesus, num apelo global para que estanque a propagação da nova VdP.