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Fomentar o bilinguismo e estimular o desenvolvimento dos países ibero-americanos

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De  euronews
CILPE 2022
CILPE 2022   -   Direitos de autor  OEI

Na Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola (CILPE), que decorre em Brasília, Brasil, Espanha, Portugal e Paraguai apresentaram um plano de ações para fomentar o bilinguismo, como forma de estimular o desenvolvimento das nações falantes do português e do espanhol.

A conferência que reúne autoridades dos setores de Educação, Cultura e Relações Exteriores dos países membros da OEI e inúmeros especialistas na reflexão sobre a valorização das duas línguas, contou com a presença do chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros referiu: “Falamos de duas línguas que têm uma enorme projeção em todo o mundo (…) São duas línguas que se encontram entre aquelas que se encontram a crescer mais e vão crescer mais ao longo deste século, de acordo com todas as projeções demográficas (…), o que quer dizer que são duas línguas jovens, duas línguas que hoje existem com grande amplitude e impacto em todo o mundo e que verão essa amplitude e esse impacto aumentar ao longo das próximas décadas”.

Foi lançado o livro “Ibero-américa: uma comunidade, duas línguas pluricêntricas”, fruto da primeira CILPE. O livro trata de temas como a promoção do bilinguismo, o incremento dos dois idiomas como línguas globais nas produções científicas e académicas, a valorização do pluricentrismo – várias formas de se falar uma mesma língua – e o fortalecimento da produção cultural em português e em espanhol, uma vez que o setor cultural responde por cerca de 4% do PIB de alguns países ibero-americanos.

“Português e Espanhol: duas línguas globais” foi o tema para debates sobre as adversidades da pandemia para a comunicação. O secretário-geral da OEI, Mariano Jabonero, analisou o cenário da crise sanitária e pontuou o momento como excecional para ampliar o debate para a era digital. “A pandemia impactou drasticamente o acesso ao sistema educacional e também gerou perdas de emprego e rendimentos das famílias, além de reduzir o PIB de diversos países, e foi preciso acelerar a cultura digital. Estamos em meio à 4ª Revolução Industrial e é preciso olhar para trás, ver como evoluímos e analisar de que forma podemos avançar ainda mais para disseminar o conhecimento e otimizar economias”, disse.

Para João Ribeiro de Almeida, presidente do Camões, I.P, a era digital, acelerada graças ao período de pandemia, permitiu a projeção das duas línguas e favoreceu a interação e a proximidade entre os povos. “Para disseminar o saber e a cultura, é preciso investir prioritariamente em políticas públicas efetivas, de forma coordenada, respeitando as características de cada idioma. O bilinguismo é uma língua ao serviço da cidadania. Uma língua a serviço do mundo”, afirmou.

Paula Alves de Souza, diretora do Departamento Cultural e Educacional do Ministério da Relações Exteriores do Brasil referiu: “Sem dúvida, a crise sanitária trouxe desafios e benefícios. Reinventámo-nos e conseguimos alcançar um público maior, com a difusão da nossa língua e da nossa cultura nos meios digitais. O bilinguismo tem desafios não apenas para para os centros académicos, mas também para nós, gestores. Precisamos de pensar de forma prática em propostas curriculares que modernizem a nossa comunicação e ensino”.

O diretor do Instituto Cervantes, Luis Garcia Montero destacou o potencial e valor do bilinguismo para o mundo. “Precisamos cada vez mais de debates assim. É necessário tornar presente a discussão acerca da proximidade linguística. O multilinguismo o impede analfabetismo e projeta o intelecto das pessoas. A cultura ibero-americana tem valor económico que impacta positivamente os investimentos do PIB nas nações. Investir em instituições de ensino, em conhecimento, é sinónimo de economia positiva”, disse.

A segunda edição da CILPE está a decorrer em formato híbrido – com sessões presenciais e online, através do YouTube.

Ao longo de três dias, os participantes abordam questões sobre as línguas utilizadas como fonte de produção científica nos sistemas de ensino superior, bem como que tipos de planeamento recomendados para a produção científica em benefício dos povos falantes de português e espanhol.

Será ainda abordada a questão dos avanços tecnológicos e a forma como as línguas portuguesa e espanhola enfrentam a atual revolução científica e tecnológica; ou a relação da cultura com o desenvolvimento, buscando identificar os novos hábitos de criação, produção e participação cultural de países Ibero-americanos.

A 2ª CILPE é realizada pela OEI, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, com o apoio da Comissão Organizadora, da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), da Secretaria Geral Ibero-americana (SEGIB), do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), o Camões, do Instituto da Cooperação e da Língua. I.P e do Instituto Cervantes.