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Mais de 1500 violações do cessar fogo num só dia no conflito do leste da Ucrânia

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De  Francisco Marques
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Membros do Centro de Controlo do cessar fogo registam bombardeamentos em Luhansk
Membros do Centro de Controlo do cessar fogo registam bombardeamentos em Luhansk   -   Direitos de autor  AP Photo/Vadim Ghirda

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) anunciou este sábado um registo diário de mais de 1500 violações do cessar fogo incluído nos acordos de Minsk para o conflito separatista no leste da Ucrânia.

Os registos reportam-se a 591 violações na região de Donetsk e 975 na de Luhansk, detados desde a manhã de sexta-feira, 18 de fevereiro.

O acumulado da OSCE resulta no maior número de violações diárias deste ano, um agravamento registado após a "Duma", o parlamento russo, ter solicitado ao Presidente Vladimir Putin para reconhecer as autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk (RPD) e Luhansk (RPL).

Ainda não incluído neste balanço da OSCE está o ataque com morteiros na cidade de Novoluhanske, numa parte da região de Luhansk controlada pelas forças armadas ucranianas. O bombardeamento ocorreu durante uma visita do ministro do Interior aos soldados na linha da frente do conflito com os rebeldes separatistas apoiados pela Rússia.

A explosão de diversos projéteis de morteiro obrigaram a comitiva do ministro Denys Monastyrsky, onde se incluíam dezenas de jornalistas como a francesa Maryse Burgot e deputados ucranianos, a procurar refúgio num abrigo militar antibomba.

Por outro lado, os separatistas na região de Luhansk, motivados pela presença militar russa junto à fronteira e pela decisão da "Duma" moscovita, acusaram pela rede social Telegram as forças armadas do governo da Ucrânia de 49 violações do cessar-fogo. "Em algumas delas foi usada artilharia pesada", alegou o braço da RPL no Centro Conjunto de Controlo e Coordenação do cessar-fogo.

No entanto, o porta-voz da União Europeia diz não haver provas desses ataques ucranianos denunciados pelas regiões separatistas de Donetsk e Luhansk.

"A União Europeia condena o uso de artilharia pesada e os bombardeamentos indiscriminados de zonas civis", lê-se num comunicado Conselho Europeu, partilhado por Josep Borrell na rede social Twitter, no qual é reiterada a ameaça de "consequências maciças e custos severos" em resposta a "mais alguma agressão militar da Rússia contra a Ucrânia".

O acumular maciço de forças armadas da Rússia dentro e à volta da Ucrânia mantém-se de grande preocupação.
Conselho da Europa
Comunicado

Em Munique, para a Conferência de Segurança internacional, o Presidente da Ucrânia pediu maior celeridade na aplicação de sanções à Rússia, sem que seja necessário para tal a apregoada invasão, negada reiteradamente por Moscovo sem que confirme no entanto a anunciada retirada militar das proximidades da fronteira.

Admitindo desconhecer as verdadeiras intenções de Vladimir Putin, Volodymyr Zelensky voltou a propor reunir-se com o Presidente da Rússia para clarificar posições.

Enquanto as violações de cessar fogo se agravam na linha da frente do conflito separatista e os esforços diplomáticos prosseguem além fronteiras, nas regiões separatistas do leste da Ucrânia continua a retirada de civis para centros de acolhimento já em território russo, numa encenação para justificar as alegações de um eventual ataque iminente das forças ucranianas nos territórios controlados pelos rebeldes.

Esse ataque é negado pelo governo de Kyiv, mas, a acontecer, tal como uma alegada invasão russa da Ucrânia, colocaria fim aos termos dos acordos de Minsk, no qual o governo ucraniano acedeu a aceitar um eventual estatuto de autonomia para os governos locais de ambas as regiões, exigindo no entanto em troca o abandono do território ucraniano de todos os soldados estrangeiros ali presentes, muitos deles russos.

Outras fontes • AP, AFP, Tass