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Os massacres na Europa "desenterrados" pelas imagens chocantes da Ucrânia

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De  Euronews
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Restos mortais do massacre de Srebrenica, encontrados em fevereiro de 1996
Restos mortais do massacre de Srebrenica, encontrados em fevereiro de 1996   -   Direitos de autor  AP Photo/Alexander Zemlianichenko, Arquivo

Os alegados massacres de Bucha, Borodyanka ou Mariupol, pelas forças russas na Ucrânia, trazem à memória imagens de outros conflitos na Europa não muito distantes como as guerras nos Balcãs, na Chechénia ou na Ossétia do sul.

O mais sangrento desses conflitos terá sido o da Bósnia, onde ocorreu o massacre de Srebrenica em meados dos anos 90, sob o comando do general sérvio Ratko Mladic.

Mais de oito mil pessoas terão morrido após dois anos de cerco e da entrada dos militares bósnios sérvios naquela cidade de maioria muçulmana no leste do país hoje conhecido como Bósnia e Herzegovina.

A região era protegida por capacetes azuis, mas essas forças de paz das Nações Unidas falharam na defesa dos civis e alguns terão até colaborado nesse crime de guerra ao separarem os homens, que viriam a ser executados, das mulheres e crianças.

Anos mais tarde, o general Mladic e o antigo presidente sérvio, Radovan Karadzic, foram julgados e condenados a prisão perpétua por genocídio. Alguns capacetes azuis também foram sentenciados.

Antes ainda da dissolução da antiga Jugoslávia, em 1991 ocorreu o tristemente célebre cerco de Vukovar, no leste do que é hoje a Croácia, junto à fronteira com a Sérvia.

Foram quase três meses de cerco, sob as ordens do então líder sérvio Slobodan Milosevic. Os bombardeamentos constantes resultaram no que à época foi descrito como a mais trágica batalha militar na Europa desde a II Guerra Mundial.

Após conquistar Vukovar, as tropas sérvias prenderam, torturaram e executaram centenas de civis croatas.

Anos mais tarde, Mile Mrksic, o apelidado "carniceiro de Vukovar", viria a ser condenado a 20 anos de prisão pelos crimes de guerra cometidos.

Na mudança do milénio, registou-se a batalha de Grózni, na Chechénia.

A trágica ofensiva das forças armadas da Rússia sobre a capital da Chechénia viria a custar, em 2003, a descrição pela ONU de Grózni como "a cidade mais destruída do planeta".

Entre cinco mil a oito mil civis terão sido mortos entre nessa ofensiva que viria a terminar com a revolta chechena esmagada pelas forças russas, então com Vladimir Putin como primeiro-ministro e Boris Ieltsin a Presidente.

Em 2008, a Rússia voltou a recorrer às armas para interferir na gestão de um país soberano. No caso a Geórgia e para defender os separatistas da Ossétia do Sul.

Ficou conhecida como a guerra dos cinco dias. Centenas de civis morreram e Putin, de novo primeiro-ministro e com o conhecido braço direito da altura Dmitri Medvedev como Presidente, celebrou mais um controverso triunfo militar que culminou no reconhecimento unilateral pela Rússia da independência da região separatista da Ossétia do Sul.

Ainda hoje, aquela região separatista é considerada pela larga maioria da comunidade internacional como território da Geórgia, à semelhança da agora também famosa Transnístria, na Moldávia, "paredes meias" com o sudoeste da Ucrânia, da península da Crimeia e das regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk.