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Preço dos fertilizantes sobe com a guerra

Fertilizantes são essenciais para a agricultura
Fertilizantes são essenciais para a agricultura Direitos de autor Michael Probst/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Michael Probst/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved
De  Euronews
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Agricultores de todo o mundo sentem-se afetados. Crise atinge países já penalizados pela penúria alimentar.

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A guerra na Ucrânia está a ter consequências também no preço dos fertilizantes, que sobem, à semelhaça dos combustíveis. Isto porque os ferilizantes à base de azoto, tanto líquidos como em granulado, são obtidos a partir da amónia sintética, que por sua vez vem da mistura do azoto como o hidrogénio presente no gás natural. 80% do preço da amónia está diretamente relacionado com o preço do gás. Segundo a FAO, em 2021 a Rússia foi líder mundial na produção de fertilizantes à base de azoto e segunda na produção de fertilizantes de fosfato e potássio.

Um dos países mais afetados é o Brasil, que importa mais de três quartos do fertilizante que usa. Edimilson Rickli, presidente da União de Agricultores de Prudentópolis, no Estado do Paraná, pode não ter que chegue para as culturas de trigo, aveia e centeio: "A importação já está comprometida e não sabemos quando o conflito vai terminar e vamos de novo poder aceder às matérias-primas da Rússia e Bielorrússia. Por isso, o Brasil precisa de encontrar novos mercados de fertilizantes, mas as coisas não acontecem assim tão facilmente", diz.

Na União Europeia, à dependência do gás junta-se a dos fertilizantes: Um quarto dos fertilizantes usados no território vem da Rússia.

Diz Dimitris Papailiou, agricultor na Grécia: "Antes, podíamos comprar 25 quilos por 18 a 22 euros. Agora, custa entre 35 e 37 euros. Estou a falar de fertilizantes que são importantes e necessários para a nossa agricultura".

Crise afeta países já vítimas da escassez

Segundo os peritos, esta crise vai afetar países que estão já a ser penalizados pela penúria na alimentação.

"Se tomarmos algum recuo e olharmos, de forma global, para os países que enfrentam crises de escassez alimentar, podemos começar por dizer que o número de pessoas em situação de insegurança alimentar aumentou no ano passado, em especial depois da pandemia, e é agora de cerca de 800 milhões de pessoas. Isso significa que esta nova crise acontece numa má altura e acaba por exacerbar os desafios que já existem, a nível global, no setor alimentar", diz Michael J. Puma, pesquisador na Universidade de Columbia, nos EUA.

Esta nova crise acontece numa má altura e acaba por exacerbar os desafios que já existem.
Michael J. Puma
Investigador da Univ. Columbia (EUA)

A FAO diz que o preço global da alimentação subiu 12,6 por cento em março, a maior subida desde a criação deste índice de preços em 1990.

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