Escassez de açúcar e inflação galopante na Rússia

Venda de açúcar na rua, na Rússia
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Os efeitos das sanções ocidentais estão a chegar aos russos. Escassez de açúcar, filas para as compras e inflação galopante são os primeiros sintomas

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Os russos estão a começar a sentir o efeito das sanções ocidentais, nos preços e na oferta de bens.

Para compensar a escassez e diminuir a procura de açúcar, as autoridades de  Yaroslavl, a 280 km de Moscovo, decidiram abrir pontos de venda na rua, onde o açúcar é vendido a granel e as pessoas esperam em longas filas para comprarem um máximo de seis quilos.

Roza Nikolayevna, residente na região diz: "Não preciso de muito (açúcar), mas é que não está de todo disponível".

Nadezhda Alekseevna, por seu lado, afirma: "Não vi qualquer escassez de alimentos, exceto de açúcar e sal".

É só o princípio de um tormento que ninguém sabe quanto tempo pode durar mas onde, ainda assim, muitos encontram justificação para a guerra.

Nadezda Pavlovna comenta: "Somos o tipo de pessoas que se algo acontece, corremos imediatamente para a loja para comprar trigo sarraceno e açúcar", enquanto Marija Hakojevna justifica: "Como mulher sou, claro, contra a guerra, mas o que se pode fazer quando há fascistas no poder lá (na Ucrânia)"?

Na Rússia, há agora perturbações no abastecimento alimentar, longas filas para a compra de bens essenciais e medicamentos e uma inflação que, em fevereiro, chegou aos 11,5%.

Para alguns, este "novo normal" na Rússia faz lembrar uma época mais escura, quando a cortina de ferro se ergueu entre a Rússia e a Europa e o país passou a ter um nome diferente: União Soviética.

Numa única semana, o preço do açúcar aumentou 37% em alguns supermercados russos, e cerca de 14%, em média, em todo o país. Os preços ao consumidor subiram 1,93% desde 18 de março, ligeiramente abaixo da semana anterior, segundo os dados divulgados pelo Serviço Federal de Estatística Russo, esta quarta-feira.

A moeda russa, o rublo, desceu desde que as forças militares lançaram o seu ataque à Ucrânia, a 24 de fevereiro.

Como resultado desta tormenta macroeconómica para a Rússia, os cidadãos têm recorrido à compra em pânico, açambarcando produtos básicos, tais como trigo, arroz, açúcar e outros produtos. O preço do açúcar subiu 14% esta semana, o das cebolas, 13,7%, do tomate, 8,2%, da couve, 6,4% e das cenouras, 5,5%.

O banco central da Rússia prevê agora que a inflação atinja uma taxa de 18,3% em março. Uma moeda volátil e em grande parte sem valor, misturada com uma baixa procura interna e preços elevados, continuará provavelmente a fazer subir os preços.

Um bloguista russo de São Petersburgo observou recentemente que, no seu supermercado local, o preço do leite tinha aumentado 45%; o peixe, 63%; 37% a massa, e 10% as cebolas, desde o início da guerra.

O governo russo declinou até agora a implementação de preços máximos em certos alimentos básicos, mas especialistas alertaram que o governo pode recorrer a medidas draconianas para proteger a economia.

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