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África debate financiamento do setor petrolífero em Luanda

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De  Neusa e Silva  com Lusa
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8º Congresso e Exposição de Petróleo de África, Luanda
8º Congresso e Exposição de Petróleo de África, Luanda   -   Direitos de autor  AMPE ROGÉRIO/ 2022 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Os principais Produtores e Exportadores de Petróleo de África estão reunidos até 19 de maio em Luanda, capital de Angola. Procuram novas soluções para aumentar o investimento no setor petrolífero e para alavancar a transição energética.

Em entrevista exclusiva à Euronews o Secretário-geral da Organização Africana de Produtores de Petróleo (OAPP), Omar Ibrahim, considerou a transição energética uma questão ideológica e disse não acreditar que seja uma questão que poderá fazer com que os investidores tradicionais na indústria do petróleo e gás, em África, alterem o seu posicionamento.

“Hoje, estão a acontecer muitas coisas no mundo que nos fazem acreditar que não estão a levar a sério a transição energética porque quando a segurança do interesse nacional, a segurança energética é ameaçada, esquecem qualquer transição e vêm pedir mais petróleo e gás e até mesmo carvão".
Omar Ibrahim
Secretário-geral da Organização Africana de Produtores de Petróleo

Omar Ibrahim acrescentava que, ainda assim, as atividades das petrolíferas e as empresas de gás natural no continente africano "ajudaram a trazer receitas aos governos e é com os quais estas receitas que gerem as administrações locais” .

Deficit na produção de petróleo em África

A ausência de investimento no setor de petróleo e gás em África, ao longo dos últimos anos, provocou um declínio acentuado na produção.

Com o embargo parcial do petróleo e gás russo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e os seus aliados estabeleceram uma meta para atender uma maior cota do mercado global, mas não aconteceu, o que terá provocado uma subida do preço do barril de petróleo em março para máximos de 2008, quando o barril de petróleo chegou a ser transacionado por 139 USD.

No mesmo mês, Angola e Nigéria, segundo dados da OPEP, foram responsáveis por quase metade do deficit no fornecimento de petróleo ao mercado global.

Ainda assim, o diretor da Corporação Nacional de Petróleo da Nigéria, Mele Kyari, garantiu que as consequências das “tensões políticas entre a Rússia e a Ucrânia” não afetaram a indústria local apesar de reconhecer que há ruturas no abastecimento do mercado global.

“Sem dúvida que a tensão política entre a Rússia e a Ucrânia causou ruturas de abastecimento no mercado e, por conseguinte, há escassez de abastecimento, mas não afeta a Nigéria porque temos um nível elevado de petróleo bruto, que é sempre exigido pelo mercado para mistura com outras produções de petróleo bruto no mundo” .
Mele Kyari
Diretor da Corporação Nacional de Petróleo da Nigéria

Novos Investimentos nas Energias Renováveis

Depois de quase 14 anos de desinvestimento no setor, devido aos preços baixos do barril de petróleo, a procura por novas fontes de energia para substituir o gás russo, anima agora as tradicionais multinacionais que renovam o seu interesse em investir em África no setor das energias renováveis.

Olivier Jouny, diretor-geral da Total Angola, em entrevista exclusiva à Euronews, disse que sua a multinacional tem um claro interesse em atingir a neutralidade de carbono até 2050 e para isso redefiniu a sua estratégia em África.

“Nós somos uma Companhia multienergias com a ambição muito clara de atingir a neutralidade de carbono até 2050. (...) Isso, significa que não vamos parar a produção de gás e petróleo, (...) porque foi o nosso business durante vários anos. Vamos continuar a fazer isso de forma diferente, com projetos de baixos custos e baixo carbono. Isso é importante e vai ser toda a nossa estratégia em Angola e África”.
Olivier Jouny
Diretor-geral da Total Angola

Uma das conclusões saídas do 8º Congresso e Exposição de Petróleo de África (CAPE VIII), que decorre de 16 a 19 de Maio em Luanda, Angola, é que para já os principais países produtores de petróleo em África não produzem o suficiente para atender à procura resultante do embargo do petróleo e gás russo. Mas admitem haver um maior interesse por parte dos investidores no setor de petróleo e gás em África.

O Congresso é uma iniciativa da Organização Africana dos Produtores de Petróleo (OAPP) em parceria com o Governo de Angola e a AME Trade Ltd e tem como tema central a Transição Energética, desafios e oportunidades na indústria africana de petróleo e gás.