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Ucrânia pressiona adesão à UE para travar o Kremlin e evitar crise alimentar

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De  Francisco Marques
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Ruslan Stefanchuk discursa no Parlamento Europeu, em Estrasburgo
Ruslan Stefanchuk discursa no Parlamento Europeu, em Estrasburgo   -   Direitos de autor  AP Photo/Jean-Francois Badias

A Ucrânia tenta acelerar o processo de adesão à União Europeia e sublinha o papel importante que pode vir a ter junto dos futuros parceiros como grande produtor alimentar que é no mundo.

Com a invasão russa a controlar boa parte do leste e os acessos do país ao mar, o presidente do parlamento ucraniano esteve no Parlamento Europeu esta quarta-feira.

À Euronews, Ruslan Stefanchuk destacou a urgência de uma solução no conflito com o Kremlin para evitar uma crise alimentar.

"Sabemos que temos responsabilidade para com as pessoas no mundo e essa responsabilidade passa pelo facto de não podermos permitir esta crise alimentar global. Por isso é muito importante para nós encontrar uma solução", afirmou o líder da Verkhovna Rada, a Assembleia ucraniana.

A Ucrânia vai conseguir alimentar-se, mas não somos egoístas.
Ruslan Stefanchuk
Presidente do Parlamento da Ucrânia

Ruslan Stefanchuk receia que um eventual abrandamento no processo de adesão à União Europeia possa vir a dar a Vladimir Putin um livre trânsito para manter a invasão russa da Ucrânia sem quaisquer obstáculos.

O líder da Verkhovna Rada garante que a Ucrânia não está a pedir qualquer tratamento especial, mas apenas "um processo franco para conseguir o estatuto de candidata".

"Mais tarde queremos cumprir tudo o que for necessário para conseguir uma adesão de plenos poderes, mas se tivermos a nossa candidatura podemos estabelecer um caminho para melhor entendermos o que temos de fazer, quando o temos de fazer, qual o melhor caminho e quando poderemos de facto passar a ser um estado membro igual aos outros", afirmou Ruslan Stefanchuk.

Ao final do dia, o ministro ucraniano dos negócios estrangeiros sublinhou não aceitar qualquer alternativa ao estatuto de candidato à União Europeia que possa vir a ser proposto pelos "27".

"Não aceitaremos qualquer versão de substituição ou alternativa ao estatuto de candidato à União Europeia, sejam elas quais forem. Precisamos do status de candidato da UE, não de 'candidato a candidato', candidato potencial ou qualquer outro substituto. Já jogamos esse jogo há muito tempo. Sabemos como funciona", afirmou Dmytro Kuleba, numa conferência de imprensa.

Os parceiros têm-se mostrado solidários com a Ucrânia e a líder do Parlamento Europeu garantiu que os "27" vão continuar a enviar "ajuda militar, financeira, política e humanitária". "Para se conseguir uma paz real, uma paz com liberdade, uma paz com ustiça", escreveu Roberta Metsola nas redes sociais.

A Presidente da Comissão Europeia garante, no entanto, não haver quaisquer atalhos no processo de adesão. Os critérios democráticos e financeiros têm de ser respeitados em qualquer integração na União Europeia.

Seja como for, Ursula von der Leyen pede aos parceiros para se manterem ao lado da Ucrânia na resistência ao Kremlin, para ajudarem na reconstrução do país dizimado pela agressão russa e a levar à justiça os alegados responsáveis por crimes de guerra cometidos nesta invasão.

O processo de adesão da Ucrânia deve ser analisado pelo Conselho Europeu na cimeira marcada para 23 e 24 de junho, em Bruxelas.