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Recorde de desflorestação da Amazónia onde mataram Dom Phillips e Bruno Pereira

Imagem de novembro de 2019 da autoestrada BR-163 no Estado do Pará, Brasil
Imagem de novembro de 2019 da autoestrada BR-163 no Estado do Pará, Brasil Direitos de autor AP Photo/Leo Correa, Arquivo
Direitos de autor AP Photo/Leo Correa, Arquivo
De  Francisco Marques
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Mês de maio de 2022 foi o pior dos últimos 15 anos na destruição da floresta onde mataram um jornalista britânico e um ativista. Polícia descobre barco das vítimas

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Dois mil campos de futebol por dia destruídos. Na realidade e no total, foram 3.360 quilómetros quadrados de floresta arrasados na Amazónia e só nos primeiros cinco meses deste ano.

Uma tragédia agora agravada com o assassinato do jornalista britânico Dom Phillips que andaria a investigar o fenómeno associado a atividades ilegais na floresta

A estimativa da desflorestação é do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazónia. O Imazon tem um sistema de alerta a monitorizar a floresta desde 2008 e os dados esta semana revelados apontam para o ritmo de desflorestação mais acelerado dos últimos 15 anos, no período entre janeiro e maio.

A Amazónia voltou a estar nas últimas semanas sob os holofotes devido ao desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do ativista brasileiro Bruno Pereira. A dupla andaria a investigar a preservação ambiental e o narcotráfico na Amazónia, numa zona conhecida pela caça, mineração e extração de madeira ilegais.

Há oito suspeitos pelo crime entretanto já confirmado, incluindo três suspeitos, dos quais um confessou o homicídio e terá indicado à polícia onde os corpos tinham sido enterrados.

Dom e Bruno foram mortos a tiro. O barco usado pelos dois acaba de ser descoberto pelas autoridades brasileiras.

Ainda sem se saber se a morte de ambos está diretamente ligada ao fenómeno da desflorestação, os dados entretanto revelados pelo Imazon mostram que só no mês passado foram arrasados 1.476 km² da floresta amazónica. É o equivalente a 44% da área arrasada desde o início do ano.

"Em comparação com maio de 2021, quando foram destruídos 1.125 km², a devastação cresceu 31% em 2022. Com isso, um novo recorde negativo foi registado na Amazónia: tivemos o pior maio dos últimos 15 anos", lê-se no relatório do Imazon.

Este mês de maio foi também apenas o primeiro do habitual período de seca na região. O chamada "verão amazónico" pode estender-se até outubro, este ano um mês que abre com as presidenciais no Brasil, o que também preocupa o coordenador do programa de monitorização do Imazon.

"2022 é um ano eleitoral, outro contexto que está relacionado com o aumento da devastação, pois as fiscalizações tendem a diminuir", explicou Carlos Souza Junior, em declarações citadas pelo jornal O Globo,

Em relação aos nove estados que compõem a Amazónia Legal, o que mais perdeu floresta em maio foi o Amazonas, onde o jornalista Dom Phillips e Bruno Pereira foram mortos. O Imazon detetou a destruição de mais de 550km² neste estado, o que representa 38% de toda a região amazónica referida.

Só no Amazona houve um agravamento de desflorestação de 109% em relação a maio do ano passado.

O segundo estado que mais floresta perdeu foi o Pará, com 471km². Aqui, um dos maiores problemas é o avanço sobre as áreas protegidas, incluindo as terras indígenas.

Outras fontes • Folha de São Paulo, G1, Globo, Imazon

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