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Regressar ou partir: o dilema no meio de uma guerra sem fim à vista na Ucrânia

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De  Francisco Marques
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Bakhmut, na região de Donetsk, esta segunda-feira
Bakhmut, na região de Donetsk, esta segunda-feira   -   Direitos de autor  AP Photo/Efrem Lukatsky

Não é fácil regressar a Bucha, a cidade símbolo das atrocidades que têm sido cometidas pelas forças do Kremlin na Ucrânia. Mas há quem regresse.

Entre os mais de 13 milhões de ucranianos deslocados de casa pela guerra, os Mudryi decidiram há poucas semanas regressar a Bucha, a primeira cidade nos arredores de Kiev que chegou a estar sob controlo russo onde forma encontradas valas comuns repletas de civis executados pelos invasores e com marcas de tortura.

A tristeza e a revolta fica expressa na face de Yulia Mudryi, quando recorda os momentos em que decidiu fugir para salvar o filho Roman.

"Foi horrível. Tínhamos esperança, fugindo, em nos salvarmos a nós e ao nosso filho. Mas tivemos de regressar a um local onde já não existe vida", lamenta, já de novo em Bucha.

Enquanto os Mudryi já decidiram regressar a casa e tentar retomar a vida estilhaçada pela guerra, outros, noutras localidades, estão a ponderar fugir das bombas russas. Como em Mala Danylivka, na região de Kharkiv, onde a ofensiva russa se está a voltar a sentir.

Ou de zonas controladas pelos rebeldes separatistas protegidos pelo Kremlin em Donetsk, onde alegadamente há pequenas localidades a ser bombardeados pelas forças ucranianas.

Seja como for, a guerra continua e sem fim à vista. A invasão russa prossegue na Ucrânia, agora mais centrada no leste do país oprimido, na zona do Donbass, mas com a ameaça sempre presente de voltar a atacar Kharkiv e Kiev.

De acordo com as forças ucranianas, os invasores têm intensificado os bombardeamentos no Donbass. Os russos já controlam Metolkine, uma pequena localidade no leste de Severodonetsk, mas esta cidade continua dividida com a resistência ucraniana aguentar a ofensiva rebelde apoiada pela artilharia russa.

Do outro lado, o Kremlin acusa a Ucrânia de estar a atacar com mísseis plataformas de gás na Crimeia, a península que a Rússia anexou à força em 2014. Os ataques na Crimeia terão feito pelo menos cinco feridos, adiantou Moscovo.

Na frente diplomática, a Ucrânia recebeu apoio da Iniciativa dos Três Mares, um grupo de 12 países da União Europeia no eixo dos mares Báltico, Adriático e Mar Negro.

O Presidente Zelenskyy agradeceu. "Quando o inimigo avança, tudo conta: estradas, ferrovias, portos, a rede energética, a eficiência nas fronteiras. Até o hábito de cooperar. É por isso que é nossa responsabilidade aprofundar os laços nesta área. Estes laços são a nossa segurança", afirmou perante a assembleia da Inicitiva dos Três Mares.

Uma segurança abalada de forma brutal na madrugada de 24 de fevereiro quando Vladimir Putin ordenou a invasão da Ucrânia sob pretextos que tem vindo a mudar desde então.

Começou por ser para "desnazificar" a Ucrânia e proteger os russófonos, agora terá sido por causa da suposta expansão da NATO para a leste, que apenas poderá acontecer de facto devido ao receio da Finlândia e da Suécia, gerado após a invasão russa da Ucrânia.

A destruição, entretanto, tem sido arrasadora para a Ucrânia e mesmo cidades agora controladas pelas forças fiéis ao Kremlin, como Mariupol, têm pela frente vários anos e muitos milhões de investimento para a reconstrução do que as forças russas destruíram.

O governo russo anunciou, entretanto, que os cidadãos norte-americanos capturados quando combatiam ao lados das forças ucranianos são considerados "mercenários" e devem ser "responsabilizados pelos seus crimes".

"Estavam envolvidos em atividades ilegais no território da Ucrânia, dispararam contra os nossos militares e a ameaçaram as vidas deles, por isso devem ser responsabilizados por esses crimes", afirmou Dmitry Peskov.

Ao catalogar esses norte-americanos como "mercenários", o porta-voz do Presidente Putin alega que não pertenciam às forças armadas da Ucrânia e por isso não estarão abrangidos pela Convenção de Genebra, que protege prisioneiros de guerra.

"Não posso entrar em explicações sobre o lado legal deste cativeiro, mas uma coisa é clara: eles cometeram crimes. Os crimes serão investigados, mas a Convenção de Genebra não se aplica a 'soldados da fortuna'", alegou Peskov.