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Países vizinhos da Rússia sem mãos a medir na fronteira

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De  Bruno Sousa
Milhares de russos tentam deixar o país
Milhares de russos tentam deixar o país   -   Direitos de autor  Zurab Tsertsvadze/The Associated Press   -  

Não serão o melhor que o exército russo tem para oferecer, são o possível. A mobilização parcial decretada por Vladimir Putin tem por objetivo aumentar o contingente russo na Ucrânia e enquanto não passam ao combate - os especialistas dizem que o treino deveria durar vários meses - os reservistas são cuidadosamente inspecionados pelo próprio ministro da Defesa, Serguey Shoigu.

O objetivo passa por reforçar as tropas na linha da frente com 300 mil unidades e apesar da publicação russa, Novaya Gazeta, ter referido que tinham deixado o país 260 mil reservistas, o Kremlin apressou-se a desmentir e a dizer que não tinham números oficiais.

Além da mobilização militar, também o Patriarca de Moscovo apelou a uma mobilização espiritual para ajudar à vitória. O líder da Igreja Ortodoxa Russa já tinha dito que um russo que morresse em combate na Ucrânia era absolvido dos seus pecados.

O argumento não convenceu os críticos da mobilização, que saíram para a rua em protesto. Há relatos de cerca de 2400 detenções, número que fez soar os alarmes na ONU.

A porta-voz da Comissão de Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, admitiu que estavam profundamente perturbados pelo elevado número de detidos num simples protesto contra uma decisão das autoridades.

Contra esta, e contra possíveis mobilizações no futuro, milhares de russos tentam sair do país e o aumento do tráfego rumo à fronteira é visível do espaço. As autoridades do Cazaquistão dizem que já entraram no país perto de 100 mil pessoas desde que a medida entrou em vigor, na Geórgia as autoridades dizem que o movimento praticamente duplicou, e que entravam diariamente no país cerca de dez mil russos.

Apesar do êxodo, Moscovo diz que não tem intenções de fechar a fronteira nem de pedir a extradição dos fugitivos... pelo menos por enquanto.