Jogadores portugueses choram morte de adeptos indonésios

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De  Nara Madeira  com AFP, AP
Jogadores do Arema FC homenageiam vítimas de tragédia
Jogadores do Arema FC homenageiam vítimas de tragédia   -   Direitos de autor  Achmad Ibrahim/Copyright 2022 The Associated Press   -  

Jogadores do Arema FC da Indonésia reuniram-se, esta segunda-feira de manhã, num memorial improvisado, no exterior do estádio Kanjuruhan, para homenagear as vítimas de um incidente trágico ocorrido no final de um jogo, no sábado à noite. Adeptos invadiram o campo, o caos instalou-se e a polícia interveio lançando gás lacrimogéneo. Pelo menos 125 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas num movimento de pânico.

No estádio, e como é usual devido à violência entre adeptos de clubes rivais, só havia apoiantes da equipa da casa. 

Dois jogadores portugueses estavam no relvado quando tudo aconteceu. Sérgio Silva explicava ao canal de televisão estatal português RTP que no final do jogo, que perderam, houve uma invasão de campo que os obrigou a fugir para os balneários:

"Acabou o jogo, perdemos e íamos dar uma volta de agradecimento, como costumamos fazer mas decidimos ficar no meio do campo. Depois aproximámo-nos de uma bancada para pedir desculpa, entretanto começaram a invadir o campo, duas ou três pessoas. (...) De repente começámos a ver que vinha muita gente e aí sim, começámos a correr para o balneário", explicava o futebolista português ao serviço do clube indonésio.

Abel Camará, outro jogador português, de origem guineense, referia que "o__s adeptos começaram a fugir, em pânico", e que quando se deu conta havia "sete ou oito pessoas mortas" no balneário. "Foi um autêntico caos. Nunca vivi uma situação assim", desabafava.

Nas redes sociais o Arema FC escrevia que o clube e os seus adeptos, os Aremania, "são família" e dizia sentirem "um profundo pesar" pelas mortes e davam força ao que "ficaram para trás. (...) Passamos por isso juntos", acrescentava.

A polícia descreveu o incidente como um motim que provocou a morte a dois agentes. Os adeptos falam em reação exagerada das forças da ordem, que gerou um dos acontecimentos mais mortíferos da história do futebol. Foi aberta uma investigação para apurar as causas desta tragédia que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, chamou de "dia negro" para o futebol.

Editor de vídeo • Nara Madeira

Outras fontes • RTP