Cidade ucraniana de Lviv às escuras

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De  Nara Madeira  com AFP, AP
Fornecimento de eletricidade a Lviv comprometido
Fornecimento de eletricidade a Lviv comprometido   -   Direitos de autor  Evgeniy Maloletka/Copyright 2020 The AP. All rights reserved

A Ucrânia vai fazendo progressos no restabelecimento do fornecimento de eletricidade mas a situação está longe de estar resolvida. O resmungar dos geradores continua a fazer parte do quotidiano em Lviv. Um ataque com mísseis russos à rede elétrica da Ucrânia, na quarta-feira, parou a cidade. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, falava em seis milhões de consumidores ainda sem energia, na sexta-feira à noite. Em muitos lugares também não havia água nem aquecimento. O serviço de Internet e telefone também não estava a funcionar como normalmente.

O primeiro-ministro ucraniano apontava o dedo a Moscovo. "Atualmente, não há uma única central térmica e hidroelétrica na Ucrânia que não tenha sido atingida pelo inimigo", afirmava Denys Shmyhal acrescentando que a maior central nuclear da Europa, a de Zaporíjia, continua sob ocupação. Ainda assim, referia o chefe do executivo, a situação está a progredir, com os fornecedores de eletricidade a cobrirem 70 por cento "das necessidades de consumo".

Apesar dos desafios persistirem, Volodymyr Kudrytskyi, responsável pelo operador nacional de eletricidade, Ukrenergo, diz que "a fase mais difícil" já tinha passado.

Mais ajuda para Kiev

Metade dos residentes da capital ucraniana, Kiev, também estavam sem eletricidade na sexta-feira, assumia o presidente da câmara da cidade, Vitali Klitschko. O objetivo era restabelecer o fornecimento, rapidamente, mas em alternância. 

Situação a que o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, James Cleverly, assistiu, in loco. O governante visitou a cidade para anunciar um novo pacote de ajuda ao país.

Os sistemáticos e direcionados ataques russos, a oitava onda deste tipo desde meados de outubro, enfraquecem as infraestruturas energéticas de um país que olha o futuro próximo com apreensão.O inverno aproxima-se e aumentam os receios de que se instale uma crise humanitária que poderá levar a um novo êxodo, nove meses depois do início da guerra.

A situação difícil dos civis na Ucrânia

Devido à difícil situação em Kherson, o governo ucraniano decidiu retirar os civis para fora da cidade, apesar de terem recuperado o seu controlo. Uma centena de pessoas - entre elas 26 crianças e seis doentes - foram realojados na área de Khmelnytskyi, que é considerada segura, e receberiam o apoio habitual do governo para as pessoas deslocadas internamente, anunciava o ministério das Infraestruturas.

Uma decisão tomada porque grande parte das infraestruturas foram destruídas e os abastecimentos à região são difíceis. Nesse contexto, o governo ucraniano conselhava, em particular, as mães a partirem com os filhos, temporariamente, da cidade.

Para a Ucrânia este sábado marca o 276º dia de uma batalha iniciada pela Rússia e na qual já morreram milhares de pessoas. O país assistiu ainda a uma destruição maciça.

Refugiados ucranianos permanecerão noutros países da Europa

Segundo o vice-presidente da Comissão Europeia, Dubravka Suica, os refugiados da Ucrânia que estão dispersos pela Europa não regressarão, de imedito, à sua pátria, nem sequer após o fim da guerra. Suica explicava que o facto de haver muitas infraestruturas destruídas - escolas, casas, etc. - e empregos perdidos não permite o regresso. O responsável europeu alertava para o facto de países como a Alemanha ou a Polónia terem de estar preparados para manter estes refugiados da Ucrânia nos próximos anos.