Onde estão as crianças ucranianas levadas para a Rússia?

Crianças ucranianas
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Investigação dos jornalistas da União Europeia de Radiodifusão (UER) revela que muitas destas crianças têm famílias e foram levadas enganadas ou sem consentimento

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Milhares de crianças de Donbasse de outras áreas ocupadas pela Rússiaforam levadas da Ucrânia para serem entregues a famílias russas. O Comissário para os Direitos da Criança do Presidente Putin qualificou esta decisão como “um ato de amor” pelas crianças órfãs que não têm ninguém para cuidar delas.

Uma investigação dos jornalistas da União Europeia de Radiodifusão (UER), revelada esta terça-feira,revela que muitas destas crianças têm famílias e que foram levadas para a Rússia enganadas ou sem consentimento.

Bill van Esveld, da organização não-governamental Human Rights Watch, considera que “não só a transferência forçada é um crime de guerra, mas também a adoção de crianças durante um tempo de guerra é completamente contra o direito internacional”. Bill van Esveld sublinha que a Rússia alterou as suas leis em maio para permitir que a estas crianças conseguissem a nacionalidade russa.

Crianças feridas também foram encaminhadas para campos controlados pelos russos. Oleksandr chegou a um deles com a mãe, que não passou no “processo de filtragem”. Conta que nem pôde dizer adeus. Mas a avó conseguiu trazê-lo de volta antes de ser transferido. Nunca mais tiveram notícias da mãe de Oleksandr.

Natalia enviou a filha para um campo de férias organizado pelas autoridades designadas por Moscovo, numa das primeiras cidades que foram ocupadas na região de Karkiv. Conseguiu recuperar a filha Karina, mas outras crianças que foram enviadas para esse acampamento desapareceram.

Natália acredita que “os russos querem ficar com as crianças” porque “metade dos que partiram já pediram passaportes russos. “Pelo que sei, dizem-lhes que a Ucrânia já não lhes permite entrar no país, mas eu não acredito nisso", lamenta Natália.

A Ucrânia diz que se trata de uma espécie de genocídio. Reed Brody advogado especialista em direitos humanos, admite que “vai além de um crime de guerra”. "A transferência forçada de crianças é claramente um crime de guerra, mas é também um crime contra a humanidade porque está a ser levado a cabo a um nível generalizado e sistemático”, defende Brody.

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