OCDE: Falta de exercício físico deteriora a saúde dos europeus

Casal a fazer caminhada com temperaturas geladas, no Parque Olímpico de Munique, na Alemanha
Casal a fazer caminhada com temperaturas geladas, no Parque Olímpico de Munique, na Alemanha Direitos de autor CHRISTOF STACHE/AFP or licensors
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Segundo o último relatório da OCDE, a falta de exercício físico impacta negativamente a saúde dos europeus e os orçamentos dos governos para a saúde

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Culpamos a revolução digital com o seu entretenimento sedentário, culpamos a falta de tempo ou de dinheiro, mas o facto é que nos movemos pouco.

Segundo o último relatório da OCDE, um em cada três adultos europeus não respeita as diretrizes da OMS, ou seja, 150 minutos de atividade física de intensidade moderada, pelo menos, por semana.

Isto resultará em 11,5 milhões de novos casos de doenças não transmissíveis até 2050, custando em média 0,6% dos orçamentos anuais para a saúde aos estados membros da UE.

Seria suficiente duas horas e meia de exercício por semana para evitar 10.000 mortes por ano na Europa no grupo etário entre os 30 e os 70 anos.

Será o desporto uma questão de classes?

O problema é social e afeta os grupos mais fracos. As mulheres e os idosos, por exemplo, praticam desporto ou fazem exercício com menos regularidade, assim como as pessoas de grupos socioeconómicos mais desfavorecidos.

Apenas 24% das pessoas que se definem a si próprias como classe trabalhadora fazem exercício pelo menos uma vez por semana, em comparação com 51% das classes mais ricas. Com diferenças entre o Norte e o Sul da Europa.

Mauro Berruto, antigo treinador de volei, tem uma convicção: "Ainda hoje em países mediterrânicos, em Itália, mas também na Grécia, o desporto é feito por aqueles que o podem pagar economicamente falando. Mas temos de chegar a um modelo onde o desporto seja acessível a todos. O modelo vai mudar quando finalmente entrar em jogo um elemento decisivo: a escola.

Especialistas preocupados com os jovens

São precisamente os jovens sedentários que estão no centro das preocupações dos especialistas. Um estudo de 9000 jovens franceses de 16 anos descobriu que são mais lentos do que os seus pares de há 30 anos. Os investigadores que conduziram o estudo lançam o alerta para um cenário muito grave.

François Carré, cardiologista e professor na Universidade Rennes 1 afirma: "Hoje os nossos filhos estão a preparar o seu ataque cardíaco na casa dos 30 anos. Temos provas: a sua pressão arterial é elevada, os níveis de colesterol são mais altos e a diabetes é mais comum".

"Hoje, os nossos filhos estão a preparar o seu ataque cardíaco na casa dos 30 anos. Temos provas: a sua pressão arterial é elevada, os níveis de colesterol são mais altos e a diabetes é mais comum".
François Carré
Cardiologista e professor na Universidade Rennes 1

Investir na saúde e na atividade física é investir na qualidade de vida: melhor sono, menos ansiedade, ossos e músculos mais saudáveis, menos hipóteses de cair, diz o relatório da OCDE. Receita para uma vida mais longa e talvez mais feliz.

Quem mais se mexe na Europa?

Segundo o último Eurobarómetro de 2022, os europeus mais propensos a praticar desporto pelo menos uma vez por semana são:

  • Finlandeses - 71%
  • Luxemburgueses - 63%
  • Holandeses - 60%
  • Dinamarqueses - 59%
  • Suecos - 59%

Na cauda da lista estão oito países onde a maioria dos inquiridos diz não praticar qualquer desporto; entre esses destacam-se:

  • Portugal - 73%
  • Grécia - 68%
  • Polónia - 65%

 

Na média dos 27 estados-membros da União Europeia, quase metade dos cidadãos (45%)  declara não fazer atividades desportivas.

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