Caminhos de Ferro da Ucrânia são exemplo de resiliência

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De  Sasha Vakulina
Um ano de guerra na Ucrânia
Um ano de guerra na Ucrânia   -  Direitos de autor  Andriy Dubchak/Copyright 2022 The AP. All rights reserved

Quando os ucranianos acordaram ao som das explosões da invasão russa, milhões correram para as estações de comboios. Não havia certezas sobre um destino seguro, mas havia comboios para Oeste, longe das bombas.

Desde o início da invasão russa, os caminhos-de-ferro ucranianos transportaram 4 milhões de pessoas para a Ucrânia Ocidental, e mais de meio milhão para o estrangeiro. Os horários e os destinos dos comboios eram alterados diariamente.

Os caminhos-de-ferro da Ucrânia são um exemplo da resiliência do país. Sasha Vakulina, repórter da Euronews, falou com Oleksandr Kamyshin, diretor executivo dos Caminhos de Ferro Ucranianos.

Oleksandr Kamyshin: Passámos aos nossos cidadãos, ao nosso povo, o sentimento de que chegar à estação seria suficiente. Estavam seguros, podiam ter os primeiros socorros, ajuda médica, ajuda psicológica, alguma comida, chá quente, e ser evacuados até ao fim do dia" (...) Como muitas pessoas, como muitas empresas, como muitas instituições na Ucrânia, estávamos a preparar-nos para a guerra. Mas não estávamos preparados para este tipo de guerra: invasão em larga escala, com bombardeamentos, com ataques aéreos... (...) Por isso, não quero nunca mais não estar preparado para algo. É por isso que, desde o verão, estamos prontos para tudo. Estamos a preparar-nos para qualquer cenário, que possa acontecer.

Euronews: Com que atraso a empresa começou a funcionar nos territórios desocupados da Ucrânia?

Oleksandr Kamyshin: Em Kherson demorou uma semana. Eu e a minha equipa estivemos lá no segundo dia depois da desocupação, depois no quarto dia e depois passado uma semana. Numa semana, trouxemos o primeiro comboio. Foi complicado porque tivemos de reparar a infraestrutura, as linhas de desminagem, a estação e toda a área.

Euronews: Simferopol, Kherson, Luhansk, Sevastopol, Kerch, Berdiansk. Para onde irá depois da vitória?

Oleksandr Kamyshin: Lembra-se quando o presidente disse ao (David) Letterman que um dia irá à costa da Crimeia e beberá um pouco de cerveja? Provavelmente, apanharei o mesmo comboio.