Russos antiguerra na Ucrânia refugiam-se na Geórgia

Muitos russos estão a criar negócios em Tbilisi para se estabelecerem na Geórgia de forma permanente
Muitos russos estão a criar negócios em Tbilisi para se estabelecerem na Geórgia de forma permanente Direitos de autor Zurab Tsertsvadze/Copyright 2022 The AP. All rights reserved
De  Giorgi Bolkvadze
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País tem recebido cada vez mais imigrantes russos que discordam da narrativa de Vladimir Putin e da mobilização militar. Procuram refazer a vida em cidades como Tbilisi

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O projeto cívico "Emigration for Action" nasceu na Geórgia após o início da invasão russa na Ucrânia.

Criado por imigrantes russos que estão contra a guerra e a narrativa do presidente Vladimir Putin, ajuda refugiados ucranianos mas não só.

Também estende a mão aos compatriotas russos que fugiram à mobilização militar e se estão a adaptar a um novo ambiente, através de cursos de línguas por exemplo, na Geórgia.

"Eu próprio estou a frequentar cursos de línguas. São muito populares por aqui. Há muita procura. Estamos aqui por causa da guerra que a Rússia começou. Não queremos viver num país que ataca os outros e pratica atos fascistas", sublinhou, em entrevista à Euronews, Maxim Ivantsov, fundador do projeto “Emigration for Action.”

Um ano depois do início da guerra, em Tbilisi, capital da Geórgia, há cafés russos, espaços de entretenimento e outras organizações criadas por cidadãos russos.

Na capital da Geórgia também há livrarias russas, como a "Itaka Books."

“Vim para a Geórgia em 2017 pela primeira vez e após uma hora a caminhar por Tbilisi, apaixonei-me pela cidade. Não quero mais viver em Moscovo. Quero viver aqui”, confessou Stas Gaivaronsky, fundador da livraria.

De acordo com a organização não-governamental Transparência Internacional, criaram-se mais de 15 mil novos negócios da Geórgia após o início da guerra.

Os especialistas acreditam que muitos russos vieram para ficar.

“Há centenas de empresas que estão a ser criadas numa única morada. Existem até algumas aldeias, onde se criaram até 300 ou 400 empresas no espaço de meses. Parece uma farsa. Precisam desses endereços para requisitos formais. Eles querem ficar aqui. Alguns querem trabalhar, ou abrir um negócio, mas independentemente disso, estão a registar-se como empresários individuais. Isso facilita a obtenção da autorização de residência”, ressalvou Beso Namchavadze, analista sénior da Transparência Internacional Geórgia.

De acordo com dados oficiais, desde o início da guerra cerca de 1,5 milhões de russos cruzaram a fronteira entre a Rússia e a Geórgia.

Desconhece-se quantos ficaram de vez, mas a presença é clara nas ruas de Tbilisi.

O fluxo gera alguma preocupação na Geórgia.

Um estudo recente diz que cerca de 70% da população acredita que a chegada de russos terá um impacto negativo e defende a imposição de um regime de vistos.

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