Bulgária deixa de importar cereais da Ucrânia a 24 de abril

Silo de cereais
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De  Maria Barradas  com Agências

A Bulgária torna-se o quarto país da UE a decidir unilateralmente deixar de importar cereais da Ucrânia. Bruxelas toma medidas para travar o movimento

A Bulgária proíbe a importação de cereais e alimentos ucranianos a partir de 24 de abril.

Isto faz da Bulgária o 4º país da UE a tomar uma tal decisão. A decisão entra em vigor algumas semanas antes da nova colheita e durará até 30 de junho de 2023.

O primeiro-ministro, Dove Donev, apontou como motivo para a proibição temporária o volume significativo de cereais e alimentos que permaneceram no país no ano passado. Como parte do raciocínio desta decisão, os ministros também destacaram a presença de pesticidas proibidos encontrados em produtos provenientes da Ucrânia.

Yavor Gechev, ministro da Agricultura, justifica a decisão: "Temos a nossa própria produção multibilionária de cereais que, acreditamos, será difícil de comercializar e sofreremos perdas muito graves, se não tomarmos medidas".

Outro país a ponderar juntar-se a estes países é a Roménia. Por enquanto, o ministro romeno da Agricultura anunciou que a Roménia irá intensificar os controlos dos cereais importados da Ucrânia. Os camiões serão selados e monitorizados por GPS durante o trânsito através do país.

O preço dos cereais ucranianos é 30% mais baixo do que o preço nacional, de acordo com os agricultores locais. A Roménia afirma ter importado a maior quantidade de cereais da Ucrânia. No entanto, terá recebido o menor montante de compensação - 10,5 milhões de euros - um valor 20 vezes inferior aos danos que tinham sido estimados pelos agricultores.

O ministro romeno da Agricultura, Petre Daea, afirmou: "Pedimos ao ministro ucraniano que utilizasse todos os meios disponíveis para garantir que os operadores económicos ucranianos reduziriam a exportação de cereais e plantas oleaginosas para a Roménia".

Bruxelas apela a abordagem europeia comum

A UE apressou-se a reprimir a "revolta" defendendo uma abordagem europeia comum, uma vez que a política aduaneira deveria estar unida em todo o bloco - e a decisão de permitir importações isentas de impostos da Ucrânia também deveria manter-se.

A reunião desta quarta-feira com os líderes dos países "desalinhados" fracassou, apesar das medidas de ajuda anunciadas antes pela Comissão Europeia.

Bruxelas parece estar pronta a abrir os cordões à bolsa para compensar os agricultores.

Dana Spinant, porta-voz e diretora para a Comunicação Política da Comissão Europeia disse: "Recordar-se-ão que já fornecemos um pacote de apoio de 56,3 milhões de euros aos agricultores mais afetados, e estamos agora a preparar um segundo pacote de apoio financeiro de 100 milhões de euros".

As propostas da Comissão Europeia baseiam-se num pacote inicial de apoio de 56,3 milhões de euros para os agricultores mais afetados nos países da linha da frente, com a possibilidade de um segundo pacote de 100 milhões de euros.

A UE está também a preparar medidas mais técnicas para evitar que as preocupações dos agricultores se transformem num problema geopolítico que faria a UE parecer fraca e dividida à medida que a Rússia continua a ocupar grandes extensões da vizinha Ucrânia.

"Medidas unilaterais só podem jogar a favor dos adversários da Ucrânia e não devem corroer o nosso apoio inabalável à Ucrânia", escreveu von der Leyen na carta.

A Comissão Europeia advertiu que a política comercial da UE é moldada coletivamente e não por cada país membro. Bruxelas está empenhada em ajudar o governo da Ucrânia a levar os produtos agrícolas do país aos mercados mundiais, tanto para aliviar a insegurança alimentar global como para proporcionar à nação invadida um rendimento muito necessário.

Na quarta-feira, a Polónia decidiu levantar parcialmente a sua proibição - mas apenas para permitir o trânsito através do seu território, não a venda de cereais ucranianos sobre o mesmo.

A medida serve, em parte, para desbloquear a situação nas fronteiras do país com a Ucrânia, onde centenas de camiões ficaram à espera durante vários dias.

Comissão Europeia reconhece as dificuldades

Antes da reunião de quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escreveu uma carta aos líderes. A carta reconhece os problemas que os agricultores encontraram após a UE ter levantado os direitos sobre os cereais ucranianos para facilitar as exportações quando a guerra da Rússia na Ucrânia sufocou as remessas através das rotas tradicionais. 

O relaxamento das tarifas levou a aumentos inesperados das exportações e, como resultado, a preços mais baixos que reduziram os rendimentos dos agricultores.

Depois de um bloqueio russo ter impedido os carregamentos de sair dos portos do Mar Negro da Ucrânia, a UE levantou os direitos sobre os cereais ucranianos para facilitar o seu transporte para África e o Médio Oriente por outras rotas e ofereceu-se para pagar alguma compensação aos agricultores dos países de trânsito, o que eles disseram ser insuficiente.

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