Mais tropas russas desaparecem enquanto militares combatem indisciplina

Recrutas em local de recrutamento militar em Grozny, capital da província da Chechénia, Rússia, segunda-feira, 17 de novembro de 2014.
Recrutas em local de recrutamento militar em Grozny, capital da província da Chechénia, Rússia, segunda-feira, 17 de novembro de 2014.   -  Direitos de autor  Musa Sadulayev/AP
De   Joshua Askew

Número de tropas ausentes sem licença terá, ao que tudo indica, vindo a aumentar

O número de militares russos ausentes sem licença terá, ao que tudo indica, piorado após o recrutamento do ano passado.

De acordo com o Ministério da Defesa (MoD) britânico, aumentou o número de russos que fugiram do exército.

Citando "investigações confiáveis de jornalistas russos independentes", o ministério referiu que entre janeiro e maio deste ano houve 1.053 casos em tribunais militares russos de pessoas que abandonaram o trabalho sem licença - mais do que durante todo o ano de 2022.

"O exército russo teve dificuldades em impor a disciplina nas suas fileiras durante as operações na Ucrânia", revelou o ministério num briefing diário de inteligência na quarta-feira, acrescentando que a "mobilização forçada de reservistas" "provavelmente piorou" o problema.

Moscovo ordenou uma "mobilização parcial", em setembro passado, convocando cerca de 300 mil pessoas para servir nas Forças Armadas.

O anúncio gerou protestos em todo o país, entre relatos de que as populações mais pobres ou de minorias étnicas estavam a ser convocadas de forma desproporcional.

Durante o briefing de inteligência, o Ministério da Defesa britânico sublinhou que "a maioria dos militares considerados culpados de se ausentar sem licença são, agora, punidos com penas suspensas, o que significa que podem ser realocados para a operação militar especial."

"Os esforços da Rússia para melhorar a disciplina concentraram-se em dar exemplos e em promover o zelo patriótico, em vez de abordar a causa na origem da desilusão dos soldados", acrescentou o ministério.

Desertores russos - incluindo mercenários do grupo paramilitar Wagner - foram, alegadamente, executados na Ucrânia, com uma reportagem da Euronews a revelar que vários combatentes chechenos foram usados para colocar as tropas descontentes em sentido.

Há ainda vários relatórios da Ucrânia que dão conta de recrutas russos detidos - por vezes trancados em porões ou caves - por se recusarem a lutar.

Tem sido amplamente divulgado que os soldados russos têm enfrentado condições difíceis, suportando o frio, a fome e os abusos dos comandantes.

Enquanto isso, muitas tropas recém-mobilizadas queixaram-se de serem enviadas para uma zona de guerra sem equipamento ou treino suficiente.

Avaliar se os russos querem lutar é uma questão complexa.

Por um lado, alguns observadores insistem que a invasão impopular foi imposta a russos comuns, relativamente impotentes, com as autoridades a reprimirem duramente a dissidência. Por outro lado, há alegações de que a guerra não seria possível sem um amplo apoio popular.

Uma investigação do serviço russo da BBC revelou que o ministério da defesa da Rússia ofereceu contratos lucrativos de curto prazo a pessoas sem experiência de combate para ingressar no Exército.

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