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Sob a sombra da guerra, Polónia marca data das eleições Legislativas

ARQUIVO - Uma marcha anti-governamental liderada pelo líder do partido centrista da oposição, Donald Tusk, em Varsóvia, Polónia, no domingo, 4 de junho de 2023\.
ARQUIVO - Uma marcha anti-governamental liderada pelo líder do partido centrista da oposição, Donald Tusk, em Varsóvia, Polónia, no domingo, 4 de junho de 2023\. Direitos de autor Czarek Sokolowski/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Czarek Sokolowski/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
De  Joshua Askew com AP
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Artigo publicado originalmente em inglês

Pré-campanha para as Legislativas arranca numa altura em que a Polónia está preocupada com a presença de mercenários russos perto da fronteira.

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A Polónia vai realizar eleições legislativas no dia 15 de outubro mas a pré-campanha eleitoral já está em curso, de forma não oficial, há meses.

De acordo com as sondagens o partido Lei e Justiça (PiS), no poder desde 2015, continua a ser mais popular, mas é provável que não consiga obter uma maioria absoluta no parlamento. 

A formação de Jaroslaw Kaczynski tem uma pequena vantagem sobre o bloco centrista, a Coligação Cívica. O apoio ao núcleo liderado por Donald Tusk, antigo primeiro-ministro polaco e ex-presidente do Conselho Europeu, tem crescido nos últimos meses, sobretudo à custa de outros partidos da oposição.

A votação - que prevê a eleição de deputados para um mandato de quatro anos - está a ser toldada pela invasão russa da Ucrânia, que provocou tensões em toda a região.

Os receios de uma provocação nas fronteiras da Polónia aumentaram, na sequência da chegada de milhares de mercenários do grupo russo Wagner a solo bielorrusso.

Grupo Wagner ensombra Polónia

Na semana passada, um contingente de cerca de 100 combatentes do grupo Wagner deslocou-se para o corredor terrestre de Suwalki, que se teme possam tentar controlar para "isolar" a Polónia dos países bálticos, aliados da NATO.

Em resposta, Varsóvia reforçou a segurança nas suas fronteiras, com o PiS no poder a querer apresentar-se como forte na Defesa.

No entanto, um perito em segurança polaco dizia ao canal público de televisão lituano LRT que as preocupações com as provocações russas - partilhadas pelo Primeiro-Ministro polaco Mateusz Morawiecki - são "estranhas e absurdas", sugerindo que os se está a tentar "usar a situação em proveito próprio", tendo em vista o próximo escrutínio.

Tensão entre Kiev e Varsóvia

As tensões também aumentaram entre a Polónia e a Ucrânia, aliada de Varsóvia, e apesar desta última ter sido, até aqui, um dos apoiantes mais firmes do país. Na semana passada, Varsóvia chamou "ingrata" a Kiev, no meio de uma contenda sobre a importação de cereais, o que provocou um conflito diplomático.

O PiS tem vindo a assumir uma posição menos tolerante em relação à Ucrânia enquanto, no país, o grupo político de extrema-direita Confederação, que tem fomentado o sentimento anti-ucraniano, tem ganho popularidade, dizem as sondagens.

Refugiados ucranianos permanecem na Polónia

Milhões de refugiados ucranianos fugiram, através da Polónia, quando os tanques russos atravessaram a fronteira, em fevereiro de 2022. Os números mais recentes mostram que cerca de um milhão ainda lá permanecem.

Embora os polacos tenham sido elogiados pela receção acolhedora aos cidadãos do país vizinho, existem preocupações de que a presença destas pessoas esteja a colocar uma pressão sobre os recursos locais, que a pequena - mas cada vez mais influente - extrema-direita está a capitalizar.

Os combates do Partido Lei e Justiça

O PiS ganhou popularidade junto de muitos polacos pelos seus valores conservadores e pelo aumento do apoio estatal aos idosos e às famílias com crianças.

No início do seu primeiro mandato introduziu um pagamento mensal de 500 zlotys (112 euros) por mês para cada criança com menos de 18 anos. O Presidente Duda, que está alinhado com o partido, assinou, na segunda-feira, uma lei que aumenta esse pagamento mensal para 800 zlotys (179 euros) por mês, a partir de janeiro próximo.

Mas nem todas as políticas deste governo são consensuais. Em julho, a Polónia aprovou uma lei controversa sobre a "influência russa", com os críticos a alertarem para a possibilidade de ser utilizada para atingir a oposição, no país.

Quando entrar em vigor, a lei criará uma poderosa comissão de peritos que poderá investigar a alegada interferência russa na Polónia e nomear os políticos que, alegadamente, permitem que ela aconteça. O comité poderá proibir os envolvidos de ocuparem cargos públicos.

O PiS tem sido criticado por se virar para o autoritarismo, minando a independência do poder Judicial e dos meios de comunicação social, pondo em causa as regras democráticas.

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