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Trump e 18 aliados acusados de tentarem falsear resultados eleitorais na Geórgia

Donal Trump, ex-presidente dos EUA
Donal Trump, ex-presidente dos EUA Direitos de autor Alex Brandon/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.
Direitos de autor Alex Brandon/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.
De  Maria Barradas com AP
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Donald Trump e 18 aliados foram indiciados na Geórgia pelos seus esforços para reverter a sua derrota nas eleições de 2020 naquele estado.

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A acusação de quase 100 páginas detalha dezenas de atos de Trump ou dos seus aliados, nomeadamente suplicar ao secretário de estado republicano da Geórgia que encontrasse votos suficientes para ele ganhar a batalha eleitoral do estado; assediar um funcionário eleitoral que enfrentou falsas alegações de fraude; e tentar persuadir os legisladores da Geórgia a ignorar a vontade dos eleitores e nomear uma nova lista de eleitores do colégio eleitoral favorável a Trump. 

O documento também descreve um plano que envolve um dos seus advogados para adulterar as máquinas de voto num condado rural da Geórgia e roubar dados de uma empresa de máquinas de voto.

A acusação alega que, em vez de respeitarem o processo legal da Geórgia para contestar as eleições, os arguidos envolveram-se num empreendimento criminoso de extorsão para anular o resultado das eleições presidenciais da Geórgia". 

A Procuradora Distrital do Condado de Fulton, Fani Willis, afirmou: "Todos os indivíduos que constam da acusação são acusados de violar a lei RICO (Racketeer Influenced and Corrupt Organizations) da Geórgia através da participação num empreendimento criminoso no condado de Fulton, Geórgia e noutros locais para atingir o objetivo ilegal de permitir que Donald J. Trump se apoderasse do mandato presidencial com início a 20 de janeiro de 2021."

Outros réus incluem o ex-chefe de gabinete da Casa Branca; o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani e um funcionário do Departamento de Justiça do governo Trump, Jeffrey Clark, que promoveu os esforços do então presidente para desfazer sua derrota eleitoral na Geórgia. Vários outros advogados que conceberam ideias juridicamente duvidosas com o objetivo de anular os resultados, incluindo John Eastman, Sidney Powell e Kenneth Chesebro, foram também acusados.

Arguídos devem entregar-se no prazo de dez dias

Fani Willis disse que os arguidos seriam autorizados a entregar-se voluntariamente até ao meio-dia de 25 de agosto, que planeia pedir uma data para o julgamento dentro de seis meses e que tenciona julgar os arguidos em grupo.

Esta acusação ocorre apenas duas semanas depois de o advogado especial do Departamento de Justiça ter pronunciado outra acusação na qual responsabiliza Trump por um ataque aos fundamentos da democracia americana.

O caso da Geórgia cobre parte do mesmo terreno que a recente acusação de Trump em Washington, DC, incluindo tentativas que ele e seus aliados fizeram para interromper a contagem de votos eleitorais no Capitólio dos EUA.  Mas a acusação da Geórgia destaca-se do caso apresentado em Washington por nomear 19 reús.

Ao acusar colaboradores próximos de Trump que eram referidos no processo de Wahinton DC apenas como co-conspiradores não indiciados, a acusação da Geórgia alega uma escala de conduta criminosa que se estende muito para além do ex-presidente. 

 O documento de acusação, com uma linguagem que evoca operações obscuras comuns ao chefes da máfia e líderes de gangues, acusa o antigo presidente dos Estados Unidos, o antigo chefe de gabinete da Casa Branca, os advogados de Trump e o antigo presidente da Câmara de Nova Iorque de serem membros de uma "organização criminosa" que fazia parte de uma "empresa" que operava na Geórgia e noutros Estados.

Caos no Tribunal

A acusação encerrou um dia caótico no tribunal, causado pela breve mas misteriosa publicação no site de um condado de uma lista de acusações criminais que seriam apresentadas contra o ex-presidente. A agência Reuters, que publicou uma cópia do documento, afirmou que o registo foi retirado rapidamente.

Na sequência deste episódio, Trump e os seus aliados, que caracterizaram a investigação como politicamente motivada, aproveitaram imediatamente o aparente erro para afirmar que o processo foi manipulado. A campanha de Trump tentou angariar fundos com base nisso, enviando um e-mail com o anexo do documento, entretanto apagado.

Numa declaração após a emissão da acusação, a equipa jurídica de Trump afirmou: "os acontecimentos que se desenrolaram hoje foram chocantes e absurdos, começando com a fuga de uma acusação presumida e prematura antes de as testemunhas terem deposto ou de os grandes jurados terem deliberado e terminando com a incapacidade do Procurador-Geral para dar qualquer explicação".

Os advogados afirmaram que os procuradores que apresentaram o seu caso "basearam-se em testemunhas que defendem os seus próprios interesses pessoais e políticos - algumas das quais fizeram campanhas a promover os seus esforços contra os arguidos".

Falsas declarações e ameaças de morte

Muitos dos 161 atos de Trump e seus associados descritos na acusação da Geórgia já tinham sido divulgados, particularmente o que deu origem à investigação: um telefonema de 2 de janeiro de 2021, em que Trump instou o Secretário de Estado, Brad Raffensperger, a "encontrar" os 11.780 votos necessários para anular a sua derrota eleitoral.

Rudy Giuliani, entretanto, é acusado de prestar falsas declarações por alegadamente ter mentido aos legisladores ao afirmar que mais de 96.000 votos por correspondência foram contados na Geórgia, apesar de não haver registo de terem sido devolvidos a um gabinete eleitoral do condado, e que uma máquina de voto no Michigan registou erradamente 6.000 votos para Biden que, na realidade, foram votos para Trump. Um advogado que o representou não quis fazer comentários.

Também são acusados indivíduos que, segundo o Ministério Público, ajudaram Trump e os seus aliados no terreno na Geórgia a influenciar e intimidar os funcionários eleitorais, nomeadamente duas mulheres que foram ameaçadas de morte durante vários meses após a eleição.

A acusação também acusa vários  arguidos de terem adulterado as máquinas de voto no condado de Coffee, na Geórgia, e de terem roubado dados pertencentes à Dominion Voting Systems, um produtor de máquinas de apuramento que há muito é alvo de teorias da conspiração. 

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De acordo com provas tornadas públicas pela comissão do Congresso que investiga o motim de 6 de janeiro, os aliados de Trump visaram o condado de Coffee em busca de provas que sustentassem as suas teorias de fraude eleitoral generalizada, alegadamente copiando dados e software.

À medida que as acusações aumentam, Trump - o principal candidato republicano à presidência em 2024 - invoca a sua circunstância como o único ex-presidente a enfrentar acusações criminais para fazer campanha e arrecadar fundos em torno desses temas, retratando-se como vítima de promotores democratas que querem aniquilá-lo.

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